Há dois anos, assistimos a atuação de Maísa no programa de Silvo Santos. A sua superexposição é usada para atrair audiência. Por duas vezes, a criança chorou no ar. Especula-se se o choro foi armação para aumentar a audiência ou se, de fato, a criança chorou como forma de reação as situações vivenciadas.
O que devemos discutir é a veracidade ou não do choro da criança? Ou o fato de Maísa ser uma trabalhadora infantil? Por que o trabalho infantil na televisão não é denunciado e combatido? Por que somente as famílias pobres são denunciadas e expostas na mídia?
Todos sabem da existência de crianças no meio rural inseridas como mão-de-obra da agroindústria, em minas de carvão como mão-de-obra escrava, nas sinaleiras trabalhando com comércio informal, em residências como empregados domésticos, e nas avenidas sendo prostituídas e todos fingem que não vêem. É assim que a indústria, não só de cigarro, comercializa produtos obtidos com a mão-de-obra infantil. Na cadeia produtiva, o consumidor brasileiro alimenta esse quadro de exploração, e todos fingem que não vêem.
O Choro de Maísa, talvez seja um pedido de socorro. Esse acontecimento traz à baila algumas contradições sócias que valem ser discutidas. Uma delas é o julgamento moral dos pais das crianças pobres por permitirem que elas trabalhem. Deixamos de questionar o trabalho infantil de crianças oriundas de classes médias e altas que trabalham na mídia, por exemplo, como apresentadoras, atrizes, modelos, cantores etc., e todos fingem que não vêem.
O que de fato estamos julgando? O que continuamos a fingir que não vemos?
Por Tereza Cristina