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Publicado em 19/05 pelo(a) wiki repórter cardapio2008@hotmail.com, Salvador-BA

Sobre o choro de Maísa

Há dois anos, assistimos a atuação de Maísa no programa de Silvo Santos. A sua superexposição é usada para atrair audiência. Por duas vezes, a criança chorou no ar. Especula-se se o choro foi armação para aumentar a audiência ou se, de fato, a criança chorou como forma de reação as situações vivenciadas.

O que devemos discutir é a veracidade ou não do choro da criança?  Ou o fato de Maísa ser uma trabalhadora infantil? Por que  o trabalho infantil na televisão não é denunciado e combatido? Por que somente as famílias pobres são  denunciadas e expostas na mídia?

Todos sabem da existência de crianças no meio rural inseridas como mão-de-obra da agroindústria,  em minas de carvão como mão-de-obra escrava, nas sinaleiras trabalhando com comércio informal, em residências como empregados domésticos, e nas avenidas sendo prostituídas e todos fingem que não vêem.  É assim que a indústria, não só de cigarro, comercializa produtos obtidos com a mão-de-obra infantil. Na cadeia produtiva, o consumidor brasileiro alimenta esse quadro de exploração, e todos fingem que não vêem.

O Choro de Maísa, talvez seja um pedido de socorro.  Esse acontecimento traz à baila algumas contradições sócias que valem ser discutidas. Uma delas é o julgamento moral dos pais das crianças pobres  por  permitirem que elas trabalhem. Deixamos de questionar o trabalho infantil de crianças oriundas de classes médias e altas que trabalham na mídia, por exemplo, como apresentadoras, atrizes, modelos, cantores etc., e todos fingem que não vêem.

O que de fato estamos julgando? O que continuamos a fingir que não vemos?

Por Tereza Cristina