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Economia

O sistema financeiro ainda não é aliado da produção

1624 acessos - 3 comentários

Publicado em 02/01/2009 pelo(a) Wiki Repórter [email protected], goiania - GO



Os bancos privados, a exemplo das demais empresas comerciais ou prestadoras de serviços, são voltados para o lucro, mas não deixam de ter um compromisso social. Quanto ao sistema bancário, esse compromisso se acresce, por tratar-se de uma espécie de concessão do Estado. Seu papel não se limita à simples intermediação financeira. Cabe-lhe prover os meios para o fortalecimento do setor produtivo, gerar bens e serviços, aumentar a riqueza do País, contribuindo para ampliar a oferta de empregos diretos.

Ao longo da história, observamos que o sistema financeiro privado jamais cumpriu plenamente esse papel. A reforma do sistema, a partir da década de 1960, com o advento do instituto da correção monetária - Roberto Campos - contribuiu para o seu excepcional desenvolvimento. A oferta de crédito realmente se ampliou, no rastro da conjuntura internacional favorável, marcada pela solidez do mercado e por taxas extremamente atrativas.

Tudo isso favoreceu a consolidação do sistema bancário brasileiro, que só a partir da implantação do Plano Real, em julho de 1994, experimenta nova fase de sobressaltos, inclusive com um doloroso processo de fusões e de reestruturação que levou algumas instituições - até mesmo tradicionais - à falência. Esse período de dificuldades para o sistema financeiro não era para os banqueiros. Foi precedido da fase de euforia do chamado milagre econômico, no início da década de 1970, quando as taxas de juros ainda eram atrativas. Mesmo nesse período, os bancos brasileiros não colocaram o financiamento da produção entre suas prioridades e lamentavelmente nada mudou. E quando ocorria, grande parte do capital tinha origem no exterior, o que contribuiu para ampliar nosso endividamento externo, enriquecer o sistema e empobrecer a maioria de nossa população.

Além de não darem preferência às atividades econômicas de maior relevância para o crescimento nacional, os bancos privados passaram a privilegiar somente as grandes empresas e a especulação financeira. Ampliaram suas redes de agências no interior do País, mas priorizavam com créditos as regiões mais desenvolvidas - Sul e Sudeste. O interior só servia como fonte de captação de recursos. Os bancos passaram, também, a diversificar suas atuações financeiras nas mais diferentes áreas da economia, utilizando recursos da poupança e depósitos à vista, criando conglomerados não-financeiros com os recursos dos clientes. Essas mudanças não trouxeram, sem dúvida, maior eficiência e segurança ao sistema financeiro, pois, para fugir das possíveis incertezas do mercado, os bancos priorizam, valendo-se de juros reais negativos, seus próprios conglomerados, em detrimento das demais empresas necessitadas de recursos para alavancar seus negócios e o desenvolvimento do País.

O início dos anos 1980 devolveu a euforia, permitiu a expansão do sistema financeiro para todos os quadrantes do País, trazendo consigo a explosão inflacionária que estimulou a ciranda financeira, uma das principais fontes de receitas dos bancos e financeiras. Enquanto congelavam salários de trabalhadores, do funcionalismo público, com a concentração de renda e a especulação dos preços, a inflação enriquecia inúmeros grupos econômicos da noite para o dia. A primeira experiência de estabilização da economia veio com o Plano Cruzado, em 1986, que obrigou o sistema bancário a fazer ajustes. Todavia, o caminho escolhido foi o de corte de gastos, desativação de agências e dispensa de pessoal, resultando na redução de 100 mil vagas no setor. O naufrágio do cruzado trouxe de volta, mais uma vez, a inflação e a ciranda financeira que continua até hoje.

Quando o capital não se alia ao trabalho e ao empreendimento para produzir riqueza e renda, temos apenas a perversa transferência de dinheiro de uma para outra mão. Prova disso é que em 1980, para cada cruzeiro aplicado em títulos públicos, havia cerca de 10 cruzeiros destinados ao crédito. Doze anos depois, com a volta da especulação financeira, de cada cruzeiro aplicado em título do governo, os bancos aplicavam apenas um cruzeiro e cinqüenta centavos em empresas privilegiadas ou vinculadas e o resultado foi que a participação do setor financeiro no Produto Interno Bruto atingiu, em 1993, o inacreditável índice de 15,6%, contra 11,4% do setor agropecuário. E continua até hoje. É lamentável dizer, mas os bancos continuam com a mesma filosofia de cobrar as maiores taxas de juros do planeta. Basta analisar os resultados positivos do último trimestre, que registram lucros de três grandes bancos superiores a R$ 10 bilhões. O sistema financeiro nacional está incluido nas dez maiores rentabilidades do mundo, embora o nosso país tenha o menor PIB e PIB per capita do G-20 e uma perversa desigualdade social social entre as regiões Sul/Sudeste e Norte/Nordeste.

Com o advento do Plano Real, com a queda da inflação, era prevista uma mudança na filosofia norteadora do setor financeiro. Enquanto ajudam os bancos a auferirem expressivos lucros e ampliarem seus negócios particulares, as taxas de juros elevadas e as fabulosas receitas de serviços ameaçam comprometer o setor produtivo, o que, expressivamente, contribui, no que concerne às dificuldades enfrentadas pelo País. Por isso, insisto que o sistema financeiro tem que ser mais parceiro da produção e do desenvolvimento do que algoz do setor produtivo.

Com a abertura do setor financeiro às instituições de crédito internacionais, os bancos privados não passaram a ter uma preocupação maior com a concorrência, que também se cartelizou, em prejuízo do crescimento nacional e dos tomadores de recursos. Esperávamos uma concorrência salutar e que adotassem nova postura, efetivamente direcionada aos segmentos produtivos nacionais mais promissores, visando, inclusive,, o que, por certo, implicaria em benefícios para tais setores de produção e, conseqüentemente, para a economia do País. Pratiquem, senhores banqueiros, a verdadeira filosofia do Capital e Trabalho e limitem as  taxas de juros a um patamar racional, bem como o BC em relação à Selic, que paga os maiores juros reais do mundo. Se o sistema financeiro cartelizado criou e está dando elasticidade à crise mundial e se beneficiando dela através de mais de US$ 3 trilhões liberados por uma infinidade de países, está na hora de não mais criar obstáculos, mas de facilidades responsáveis e necessárias para para a manutenção do crescimento visando benefícios para o capital humano.
 
http://blig.ig.com.br/blogdojoaodarocha/


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Comentários
01
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SPOCK
São paulo 05/01/2009

Ola, Inho. As remessas ilegais de numerários provindos de corrupção têm, praticamente, imunidade criminal. O deputado federal Paulo Salim Maluf, por exemplo, tem contas no exterior de algumas centenas de milhões de dólares, sem que a Justiça o incomode. Após ser preso por uns 40 dias, foi solto e o dinheiro continua no exterior. Se candidatou à deputado federal e foi o candidato mais votado do Brasil, com 800 mil votos. O Brasil é um dos países com maior tributação do planeta e, por sua vez, uma contrapartida miserável à sociedade. Com tamanha tributação e com serviços de qualidade africana, onde se encontra a diferença? Na corrupção e na conivência ou alienação do brasileiro.


 
02
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INHO
BAHIA 04/01/2009

Spock, você é mais pesquisador do que eu. Analise para ver se cabe no seu comentário o seguinte: as montanhas de dinheiro que os políticos corruptos remetem para o exterior. Juntando tudo o que você mostrou com a análise de "rochas", dá pra entender a escassez de dinheiro no Brasil, face as riquezas naturais doadas por Deus aos brasileiros.


 
03
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SPOCK
São paulo 03/01/2009

O Capital Especulativo (ações, títulos financeiros, títulos de crédito etc) não produz absolutamente nada. Apenas transfere dinheiro de uma mão para outra. A sociedade por ações e o mercado de papéis especulativos precisam e devem sofrer mudanças. A crise econômica, que é cíclica, provêm do CAPITAL FINANCEIRO, e não do Capital Produtivo. O Capitalismo não acabou e nem vai acabar. O que deve ser "riscado do mapa" é o capital utilizado em especulação financeira.


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