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Cultura

O piano da insônia

346 acessos - 0 comentários

Publicado em 17/02/2012 pelo(a) Wiki Repórter valdeck, Salvador - BA



Lendo, com aguçado sentimento de percepção, os poemas que compõem o índice de Piano Mudo, vê-se logo que, de página para página, uma porção de cintilâncias líricas palpitam pela imagética da poesia de Márcia De Conti. O que, naturalmente, denuncia maturidade, equilíbrio e lucidez da autora, ao defrontar-se com o miraculoso instante da criação literária, cuja matéria prima é a palavra, essa célula de fogo que dá voz aos enlevos e às angústias do nosso espírito.

Por: Gabriel Nascente
Contato da autora do livro:
[email protected]

Ademais, é aí, nesses círculos de luz, que as emoções da psique movimentam as palavras. Quer queira quer não, a força desse fenômeno (raios do ignoto) é de origem platônica, divina, acobertada sobretudo por sombras inescrutáveis. Mistério. Mistério. Eternamente sem chaves.

Para Rainer Maria Rilke, a aprendizagem é sempre uma longa clausura, donde retiramos a lição do nosso discernimento, seja espiritual ou existencial. As vivências, os desatinos, a insânia de nossas ideias, o egoísmo, o erro aviltante de nossos passos, refregas e tombos, arranhões, fantasias e petulâncias nos aviventam a refletir, fundos e esperançosos, sobre a fragilidade de nossa vida neste planeta. E a visão de mundo de Márcia De Conti coaduna-se com isso.

Daí se conclui que, nem tudo em literatura acontece por influência do fator sorte, efeito álea sobre o destino. É preciso, pois, ciência, mas, sobretudo inspiração para alar-se às alturas daquilo que se pretende, com a linguagem das musas.

Eu não sei se os anjos atormentam as pessoas. Mas a poesia atormenta a minha doce amiga e poeta Márcia De Conti. Se passageira, fugaz, ou perene, não importa. A poesia é o seu refolgo, donde, por ela, a sua alma respira, mais livre que borboleta nas asas do verão. "A primavera floresce no jardim dos sentimentos".

Às vezes, a poeta se refrange para o desdouro de algum pessimismo, com sua "malograda tentativa de construir/palácios no vento", admitindo que a vida, em si, é vão, debalde, "viajando num navio/atracado". Malgrado esse resvalar de resvalo, aflora, noutros poemas, o lado lúdico da sentimentalidade ovacional às coisas simples da vida, como, nesta confissão de seu ardente "O QUERER./ /Quero um sol que me conte histórias./Quero um sol que faça amor com a minha vida".

Cada poeta inventa ou sonha o seu próprio caminho. E, por meio deste, atira ao papel o grito verbal de suas emoções.

Márcia De Conti se enquadra, poetante, à pomífera dimensão desse princípio; porque sabe o canto que arranca da alma e atiça-o à garganta das palavras, como quem pega com a mão uma faísca de sol e a transforma em chamas de poesia: "Agora entrego ao sol o mofo da minha cama/e, devagar, estendo os lençóis/que acompanharam a minha insônia".

O seu recado de poeta é a voz de outros recados: os de ânsia metafísica fervilhantes nos subterrâneos da mente.

Quando eu aposentar minha tristeza.

Vou plantar flores

Nos canteiros da poesia.

Das dezenas de rodadas de cafés literários, que pude usufruir da presença da poeta Márcia De Conti, percebi, à flor do óbvio, o quanto a poesia entranhou-se, avassaladoramente, na respiração cotidiana da poeta, tornado-a prisioneira da insônia - dia e noite em núpcias com a palavra - no redemoinho de suas inquietações.

Enlouqueceu-se, pois, de amor pela poesia, dando mostras de que a loucura da poesia, no dramático contexto do mundo globalizado, não faz mal a ninguém. E que o sonho, como archote de todas as esperanças, é infinitamente maior que o universo material das coisas.

Piano Mudo é uma recolha de pérolas poéticas que ajuda o próprio sonho a sonhar. E nós somos carentes dessas centelhas de lirismo na alma.

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