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Economia

Os emergentes e os imergentes

818 acessos - 0 comentários

Publicado em 30/11/2011 pelo(a) Wiki Repórter Johan, Fortaleza - CE



Vivemos nesses dias um processo gradual e relativamente lento de transformações geopolíticas, o G7 (ou G7 + Rússia), agrupamento com as maiores economias do mundo exceto a China por exclusão e a Rússia por inclusão, cada vez mais assume o papel de países imergentes, isto é, em recessão ou baixo crescimento, enquanto os BRICs crescem em poder quase que inercialmente.

No entanto, o cenário em transformação fortalece os BRICs, com a exclusão da China no G7 (sob o pretexto de que só reuniria democracias), o G7 cometeu seu maior erro ao ter excluído a maior potência emergente de seu grupo, enquanto que a Rússia como um 'membro convidado', está cada vez mais tendendo a agir através dos BRICs do que do G7, sendo que é um dos menos emergentes entre os emergentes.

Com a relutância dos governos conservadores da Alemanha e França de avançar na europeização, avançando na integração financeira do bloco, está se tornando senso comum entre analistas de que a UE, na melhor da hipóteses, se depara com uma década perdida na economia. A solução alternativa seria o inverso, o encolhimento da UE, expulsando a Grécia, mas seria uma solução que traria também pessimismo ao mercado ao testemunhar o fracasso do euro, além de que a única expulsão viável dentre os países ameaçados seria a da própria Grécia, já que a expulsão de Portugal, Espanha e Itália seria desastroso. Além do que, o impacto financeiro da saída da Grécia do Euro ou mesmo da UE nos bancos alemães e franceses, tem retardado a medida.

Há um dado muito curioso entre os países ameaçados na UE, nenhum deles pertence ao leste europeu, ao rol de países ex-comunistas que seriam muito facilmente taxados de culturalmente apegados ao 'paternalismo de Estado' ou qualquer outro preconceito que tirasse a responsabilidade dos mercados/bancos na crise. São todas as economias que mais se aproximaram do liberalismo econômico, inclusive sob governos de partidos socialistas, na terceira via que dominou a esquerda na Inglaterra, Portugal e Espanha.

Está evidente que a hipótese de avanço da centralização na UE, avançando ainda mais o seu frágil confederalismo para um modelo mais próximo do federalismo, está completamente descartada. E o que é pior, o impasse das alternativas estão levando a uma alterantiva ainda pior, a inação. As economias europeias sozinhas são pouco significantes na perspectiva das próximas duas décadas, isoladas estão condenadas a orbitarem os EUA ou a China, a UE mudou isso, mas sua integração econômica só atingiu a moeda, e sua integração política é quase decorativa, dado a necessidade que cada deliberação exige a aprovação do parlamento de cada membro (seria como se cada aprovação no Senado brasileiro devesse ser re-aprovado em cada parlamento estadual por unanimidade).

Está cada vez mais evidente que o futuro europeu está definido entre a opção de avançar no internacionalismo (fortalecimento da UE) ou retroagir ao nacionalismo, de integrar-se ou desintegrar-se. No entanto, a integração que imporá um banco central único europeu, com títulos únicos de toda a zona, uma instância política centralizada, exige uma energia política muito maior do que a inércia conservadora até mesmo dos partidos de esquerda. A energia necessária não será alcançada mesmo com governos inclinados a intervenção, superar as identidades nacionais em favor de um governo europeu é enfrentar uma entidade secular. A União Europeia deu aos europeus o maior período de paz presenciado no velho continente, são 7 décadas seguidas de convívio harmonioso. O fim da UE é algo muito maior do que o fim do Euro, mas o avanço da UE é tão ou mais desafiador, é necessário um projeto europeu que vá muito além do que uma mera moeda comum.
 

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Johan
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