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Humor

O Dia em que a minha cachorra mordeu um lobisomem

801 acessos - 1 comentários

Publicado em 14/09/2011 pelo(a) Wiki Repórter mauro carlos, São Paulo - SP



  O dia em que a minha cachorra mordeu um lobisomem
 
Coisa interessante sobre as preferências dos caninos domésticos, é que são pessoas de hábitos. Já reparei que gostam e costumam fazer sempre as mesmas coisas e nos mesmos horários. Tenho muitos cachorros que residem no Sitio de Tatuí, conforme a maioria já sabe, e costumo prever a reação de cada um em cada situação, com margem de erros pequena, digamos.
 
Quando estou no sitio, por costume de treinamento antigo, junto a cachorrada para um passeio curto, do portão até a ponte do Rio Tatuí, o que dá uns 300 metros ida e volta. Considerando que eles vivem soltos e tem alguns alqueires para correr o dia inteiro, isso é praticamente nada. Mas eles fazem questão. Nos dois momentos determinados durante o dia, de manhã e à tardezinha, começa uma aglomeração cachorral na porta da cozinha, uns olhando atentos outros latindo desmedidamente, a observar qualquer movimento meu, identificando o momento exato que pegarei as guias do passeio ou a chave do portão. Já reparei também que os cachorros gostam de repetir sempre o mesmo percurso. Não gostam de passear para o outro lado, já que estão acostumados com o caminho. Não gostam de passar para alem da ponte, pois isso não está no script do passeio normal. São pessoas caninas altamente sistemáticas.
 
Sistemáticas e felizes. Cada qual do seu jeito. Um vai balançando o seu corpanzil, o outro rodopiando o rabo peludo, o outro carregando o osso ou outro objeto que estava mais à mão ou à boca, o outro dando advertências aos passarinhos atrevidos do caminho, o outro fazendo xixi a cada dez metros, e assim vai a trupe. Na volta, ao se aproximarem do portão, apertam o passo, como se a graça e o encanto, agora, fosse chegar logo em casa, e se faz uma aglomeração canina a espera da abertura do portão, sem muita paciência para a retirada das guias. Uma família orgulhosa de pessoas caninas de espécies variadas.
 
Um dos cães responde pelo nome de Paloma. É um fila brasileiro fêmea de cor cinza. Não sabemos se é legítima ou um pouco mestiça. Achamos que ela é a popular “fila de sitio”. Ela já veio adulta. Na realidade quem veio com ela foi a gente mesmo. Como a Paloma pertencia, há muitos anos, há um crápula morador de Boituva, vizinho da mãe do nosso caseiro, que a deixava presa na corrente e passando fome, um dia organizamos uma operação de resgate, com ajuda de alguns vizinhos, aproveitando da ausência temporária de seu dono, e a sequestramos, por assim dizer, mas para o bem. Desde então ela está com a gente, sendo as suas atividades preferidas tomar sol rolando na grama e comer ração eukanuba doidamente antes de todo mundo, rodopiando para observar se há a aproximação de algum inimigo ou espião canino.
 
Mas o caso é que há cerca de um ano e meio, num desses curtos passeios até a ponte do Rio Tatuí, ia eu com a cachorrada, com a Paloma especialmente presa à guia (alguns dos cães, por meiguice e treinamento, acabam indo soltos, mas esse não é o caso da dita cuja minha amiga canina), quando da banda de lá veio um rapaz conhecido nosso de vista, que é um peludão tipo o Toni Ramos e que morava ali logo na frente, em uma fazenda. 
 
Ao passar pelo nosso bando, levantou a mão como já havia feito outras vezes e bradou OOOOppsssss amigavelmente! Talvez um OOOppssss um pouco mais animado do que o de outras vezes, não sei bem.
 
Em resposta, recebeu um outro Ops de minha parte, enquanto a Paloma, sem dizer um nada, simplesmente deu uma bocada rápida e gigante dirigida a sua bunda, enquanto eu puxava agilmente, na medida que podia, a sua guia para trás. 
 
Essa bunda em questão, em microfrações de segundos, conseguiu ser encolhida em uns trinta ou trinta e cinco centímetros para dentro do interior dela própria, se é que isso poderia ser possível, mas foi, de forma que os dentuços da Paloma pegaram mesmo foi só na calça do dito moço, ficando um pedacinho da bunda branquela de fora, àquela altura um pouco meio avermelhadinha. 
 
Como naquele momento eu fiquei meio estupefato e assustado e com muita vergonha do moço e até com raiva da Palominha por aquele ataque desavisado, me desdobrei em desculpas, intervaladas com broncas direcionadas à minha amiga, enquanto sacava da carteira tentando fazer que o rapaz aceitasse um dinheiro pelo prejuízo, ao menos com o intuito de comprar um calça nova e uma cueca zero, mas ele, muito altivo e com toda educação rejeitou, dizendo que entendia e que não havia motivo para desculpas e que o caso estava encerrado, que assim ficamos, cada qual para o seu lado, ele de calça furada e eu com a minha cachorrada danada.
 
Mas foi que me ficou uma preocupação e fui falar com o Seo Dida, caseiro do Sitio, conselheiro de assuntos tatuienses e entendedor das coisas do mundo e daquela vizinhança. 
 
O fato é que calejado no mundinho da capital, do medo de todos os dias e de todas as coisas, fiquei com um certo temor de que o rapaz, que não conhecia a não ser de ops e de vista, pudesse ter na verdade ficado com raiva da minha cadela e pudesse pensar em alguma maldade, como talvez jogar uma “bolinha” para os meus cachorros comerem ou coisa assim. Havia eu que tirar a dúvida.
 
Expliquei então para o Dida o ocorrido, e ele fez foi se animar com a história da mordida na bunda, já que uma das suas virtudes é gostar das coisas meio erradas, no bom sentido. Expliquei do meu receio e dei as pistas para que identificasse o senhor mordido de bunda, que de vitima, na minha cabeça, estava era virando algoz.
 
O Dida conhecia o moço, assim de bem conhecer de muito e bom tempo, e também sua família e todas as demais informações, dando-se em seguida do reconhecimento, tal e qual o seguinte dialogo entre mim e ele:
 
_ Há Seo Mauro, eu sei quem é ele sim, um que passa aqui umas treis veis por dia ou até mais um pouco! CCheee! Gente boníssima! Amigo meu! Peludão assim no peito e na cara né? E brancão meio vermelhão também maiomeno do meu porte, né?
 
_ É isso mesmo Seo Dida, e sempre dá um Opss!
 
 
_ Então, alem de amigão, quando ele teve preso, nóis levava muito cigarro prele, até maçã e pinga.
 
_ Ué, mas teve preso porque Dida?
 
_ Rendeu quatro foi na faca no bar do Broa! Mas tava certo. O pessoal mexeu com ele nada vê. Pessoal bandidão. Uma limpeza boa até.
 
_ Mas matou?
 
_ Occhee! Na horica e no minuto! Sobrou nem botina de ninguém! E acho que não foi a primeira vez. Cabra educado mas pomposo, e decidido. Não gosta do marfeito!
 
_ Há.... Seo Dida, então cê falando assim, fico até que mais tranqüilo um pouco, sabendo que ele é gente boa e tudo, pessoa correta.
 
_ Tranqüilo; garantido Seo Mauro, e gosta de bicho também! Só que tem uma coisa meio ligeira mas é verdade também, daí não sei o que o senhor vai achar.
 
_ Há...... O que é?
 
_ Tem que esse Seo Fulano, o da Paloma e da Bunda e das pexeiradas também, e isso diz que não é nem culpa dele mesmo, é lobisomem. É lobisomem ou vira lobisomem, não sei, mas é certo mesmo, não é invenção não, e é a família toda, é de familiar mesmo, o pai dele e o irmão, e diz que o vô também era. Herança mardita!
 
_ Uai Dida, então vai ver até que foi até por isso que a Paloma tentou morder o dito, que agora sei que também é cujo. Mas você não ta de brincadeira não?
 
_ Não seo Mauro, vou eu brincar com isso aí? Trago até vinte testemunhas pro senhor ver. Agora tem o seguinte. Diz e isso é certo, que não é uma família de lobisomem ruim igual tem uns, capaz de malvadezas, que nem se diz, os “tués”. É lobisomem catingueiro pra menos, que faz umas bagunceiras por aí de zoar mas não prejudica muito ninguém, nem muito medo dá. Agora, que a Paloma estranhou o bicho deve ser porque tá nos dia dele. Já viu que outros dias ela nem fez nada, né?
 
_ Pode ser........! Agora, cê acredita mesmo Dida?
 
_ Occhee!
 
_ Porque, viu Seo Dida, falar pro cê, o povo fala muito, tem filme e novela, quase todo mundo que anda por aí no escuro, na solidão, sabe o que é ter medo, mas lobisomem mesmo, no osso, pra valer mesmo, eu só mesmo vi uma vez única!
 
_ Pois eu já vi foi duas seo Mauro! Benza Deus! É criatura!
 
Foi então que nesse sábado, ao sair do sitio rumo a São Paulo, me lembrei de tudo isso com um pouco de tristeza, pois ao despedir do Dida na saida pelo portão, ele me contou que o nosso amigo Lobisomem, que depois de tudo isso cumprimentei outras tantas vezes, até com mais respeito pela autoridade embutida e pelo acontecido entre nós, havia morrido, de morte morrida mesmo! Uma pena!
 
Vim pela estrada pensando, e por alguns instantes cheguei a achar que a informação não era verdadeira, pois que ao que me parecia os lobisomens não morrem. Mas aquela sensação passou. Quem não morre acho que são os vampiros. Os lobisomens não devem ser assim tão poderosos mesmo, senão a cachorrada não ficava a morder a bunda deles!? 
 
Mauro Tavares Cerdeira
 

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Publicado pelo(a) Wiki Repórter
mauro carlos
São Paulo - SP



Comentários
01
Reporte abuso
Marlene Tavares
São Paulo?SP 15/09/2011

Mauro Carlos!!!
Adorei!!!!
Aliás, você deveria ser humorista, pois leva muito jeito.
Me vi participando da conversa com "Seo Dida".
Ah ah ah.


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