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Tatuagem (Chico Buarque)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
Guantanamera (Los Sabandeños)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
O Artista (Trailer Legendado)
Publicado em 28/02/2012 pelo(a) wiki repórter Júlio Ferreira, Recife-PE
Deu no papel

Sai o “mito”. Toma posse a primeira Presidente do Brasil

660 acessos - 2 comentários

Publicado em 01/01/2011 pelo(a) Wiki Repórter BrasilWiki!, São Paulo - SP



DESTAQUES DE JORNAIS BRASILEIROS, SÁBADO, 1° DE JANEIRO DE 2011.

Jornal do Brasil

Show de luzes e tempo bom saúdam 2011
Sala vip de cinema da Barra oferece refrigerante e petiscos, mas o preço do ingresso também é salgadinho. (Págs. 1 e 33)
O último dia do presidente
Lula visitou Dilma, ameaçou fugir com a faixa presidencial hoje e manteve o ex-guerrilheiro italiano Cesare Battisti no país como exilado. (Págs. 1, 10 e 11)

O Globo

O réveillon da retomada
Rio celebra resgate de áreas do tráfico, e abre década da Copa e das Olimpíadas

Após décadas de tiros e balas traçantes no reveillon, apenas fogos de artifício coloriram o ce do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, na Penha, Zona Norte do Rio, aos primeiros minutos de hoje. Com as favelas ocupadas pela polícia e pelo Exército desde novembro, ao fim de uma das maiores ações de retomada de áreas antes dominadas pelo tráfico, a imagem da Igreja da Penha na chegada de 2011 traduz o espírito de fraternidade e esperança de novos tempos no Rio. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, virou o ano com a família no morro do Chapéu Mangueira – uma das 16 favelas pacificadas – no Leme. O reveillon 2011 no Rio marca também o início de uma época que está sendo chamada de “a década de ouro” por causa da Copa em 2014 e das Olimpíadas em 2016, cuja logomarca foi revelada ontem, nas areias de Copacabana. O Rio vive um momento histórico com grandes projetos e investimentos. O clima de paz na orla de Copacabana, onde dois milhões de pessoas festejaram o Ano Novo, consagrou mais uma das maiores e mais bonitas festas de reveillon do mundo. (Págs. 1, 15 a 19)

No adeus, Lula deixa para Dilma crise diplomática com a Itália
Nova presidente assume hoje com desafio de conter gastos e garantir crescimento

Em seu ultimo dia no cargo, o presidente Lula abriu uma crise diplomática com a Itália ao decidir não extraditar o ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti, condenado à prisão perpetua em seu país. O governo italiano protestou duramente e chamou de volta seu embaixador. Battisti ficará no Brasil com status de estrangeiro. Em meio a crise e sob a sombra do presidente que sai com popularidade recorde, Dilma Rousseff toma posse hoje como a primeira mulher no Planalto. E herda os desafios de conter os gastos públicos, elevar o investimento em infraestrutura, além de melhorar a qualidade da educação e da saúde. (Págs 1, 3 a 5)

Nova presidente vai evitar, no discurso, falar em continuísmo. (Págs. 1 e 4)

Posse terá mais estrangeiros e menos populares que a de Lula. (Págs. 1 e 12)

Aeroportos vão para iniciativa privada
O governo Dilma quer transferir mais da metade dos 67 aeroportos sob controle da Infraero para estados e municípios, que poderão concede-los à iniciativa privada. A estatal ficaria com 30: os mais movimentados e os situados em locais estratégicos. (Págs. 1 e 23)

Folha de S. Paulo

Dilma lançará plano para erradicar miséria
Primeira mulher a comandar o Brasil recebe hoje de Lula a faixa presidencial

Dilma Rousseff, 63, que será empossada hoje como a primeira mulher presidente do Brasil, vai lançar um plano nacional de erradicação da miséria a fim de tentar cumprir sua principal promessa de campanha.

A ideia é reunir os programas sociais existentes e lançar novos, como iniciativas de financiamento e formação profissional, portas de saída do Bolsa Família. O objetivo é tirar da miséria 18 milhões de brasileiros.

Dilma, a 40ª pessoa a assumir a Presidência da República, destacará no discurso de posse que pretende promover um governo de “continuidade, mas aprofundado e avançado” as políticas de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

A ideia será sintetizada no mote “um Brasil que apenas começou”. (Págs. 1 e A4)
Fernando Rodrigues
Filha de um imigrante, Dilma emite bom sinal ao mundo: O Brasil continua a ser terra de oportunidades (Págs. 1 e A2)
Mortes na ditadura poderão ganhar ’história oficial’
Dilma Rousseff pretende articular acordo com as Forças Armadas, o Congresso e as entidades de direitos humanos para construir narrativa oficial das mortes ocorridas na ditadura, informa Kennedy Alencar. (Págs. 1 e A10)
Alckmin assume e já vê Kassab como adversário (Págs. 1 e A13)
Conheça os 27 governadores que tomam posse (Págs. 1 e A4)
Lula nega extradição de Battisti e abre crise com Itália (Págs. 1 e A11)
Editorial
Desafios da presidente

A presidente Dilma Rousseff assume hoje o governo de um país promissor, que pode alimentar com realismo a ambição de se tornar nas próximas décadas uma nação rica e socialmente justa.
Contribuir de maneira decisiva para esse triunfo histórico é o grande repto que se apresenta à nova mandatária. Não bastará, para tanto, dar continuidade às políticas de seu antecessor. (Pág 1.)
Mercado
Presidente veta criação de cadastro de bons pagadores (Pág. 1 e B1)
Editoriais
Leia “Diferenças tucanas”, sobre conflitos internos do PSDB; e “Cotas diplomáticas”, acerca do uso de cotas para afrodescendentes no Itamaraty. (Págs. 1 e A2)

O Estado de S. Paulo

Começa o governo Dilma
Após oito anos na Presidência da República, Lula passa hoje a faixa à sua ex-ministra, a primeira mulher a comandar o País

Dilma Rousseff assume hoje como a primeira mulher presidente do Brasil. O mandato da petista, que quer ser chamada de “presidenta”, começa sob a sombra do enorme carisma de seu antecessor e padrinho político, Lula. “Eu não posso errar”, diz Dilma – que, fiel a sua fama de durona, já planeja reuniões de trabalho para “ontem”. Após oito anos, Lula passará a faixa à sua criatura deixando um legado de acertos e descompassos políticos, econômicos e sociais. Lula teve como marca os solavancos de sérias crises políticas, como a do mensalão, mas também a inegável redução da desigualdade social e a manutenção da estabilidade econômica. Para compensar o peso dessa herança, Dilma terá a maior base de apoio já formada em torno de um presidente desde a redemocratização do Brasil. (Págs. 1 e Caderno Especial)

Déficit republicano é desafio da presidente (Págs. 1 e H11)

Entrevistas – André Singer

Maior legado de Lula foi a inclusão social (Págs. 1 e H9)

Chico de Oliveira

’Nunca antes neste país’ é conversa fiada (Págs. 1 e H9)

Olhares distintos sobre o mesmo ''mito''
Intelectuais emergentes do PT fazem avaliações divergentes sobre o saldo político dos oito anos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva

Malu Delgado e Alberto Bombig - O Estado de S.Paulo

Luiz Inácio Lula da Silva despede-se do poder com um catálogo de aliados e críticos, inclusive dentro do próprio PT. Em janeiro de 2003, quando subiu a rampa do Palácio do Planalto para passar à história como o primeiro presidente operário do Brasil, o cientista político André Singer e o sociólogo Chico de Oliveira integravam o staff de intelectuais de esquerda ligados ao PT que ao longo de duas décadas ajudaram a formular as bases e os programas do partido.
Singer, que hoje dedica-se a entender as "razões sociais e ideológicas do Lulismo", seria nomeado porta-voz da Presidência logo em seguida e permaneceria no cargo durante todo o primeiro mandato, desligando-se do governo em 2007 para retomar as atividades acadêmicas.
Oliveira, em outro extremo, romperia com partido que ajudara a fundar quatro meses depois, decepcionado com os rumos do governo. Agora, ao término da Era Lula, ambos fazem ao Estado um balanço, antagônico no conteúdo, do que ficará para a História da passagem do ex-metalúrgico pelo poder.
Para Oliveira, sempre calcado nos ditames do pensamento de esquerda, Lula teve desempenho mediano e não deixará um legado aos trabalhadores brasileiros. Singer, embasado na análise sobre a atração que Lula exerceu às classes menos favorecidas, destaca a incorporação social como sua principal herança.

''Lula deu provas expressivas de apego à democracia''
Andre Singer, doutor em Ciência Política
A vinculação do "subproletariado" a Lula, que o sr. classifica de "lulismo", justificaria, por si só, a alta popularidade em 8 anos?
Não. São dois fenômenos ligados, mas diferentes. De um lado tem essa mudança de base social, que tem a ver com esse processo de realinhamento que começa em 2002 e se completa em 2006 e é caracterizado por essa mudança de perfil da base eleitoral de Lula e do PT: antes muito ligado à classe média e, agora, ao subproletariado (a faixa da população com renda familiar mensal de até dois salários mínimos). A outra coisa é que no segundo mandato os índices de popularidade subiram muito e, evidentemente que quando chegam à proporção a que chegaram atingiram muito mais gente que o subproletariado. O que é característico desse período é o fato de que a candidatura Dilma foi sustentada exatamente por esses eleitores subproletários. A alta popularidade tem, de um lado, essa base fiel que se expressou na votação da Dilma, acrescida de um público de classe média que provavelmente decorre de um grande êxito econômico do governo. O governo conseguiu produzir uma situação de crescimento que parece ser sustentável.
No seu ensaio sobre as raízes sociológicas do lulismo, o sr. menciona que o suporte do subproletariado deu "autonomia bonapartista" a Lula. O presidente foi estadista? Foi democrático?
O bonapartismo tem associação com componentes militares, o que definitivamente não está em questão. Quando eu disse que há uma certa autonomia, é de fato o resultado de uma base social que se articulou a partir do projeto executado no primeiro mandato de maneira que lembra uma passagem do Marx no O 18 Brumário, aquela em que ele diz que no caso da França os camponeses não podiam se auto-organizar enquanto classe. Eles tinham de ser organizados de cima para baixo, por identificação com quem estava no alto. Tem algum grau de semelhança com a situação dos subproletários no Brasil. Quando eu lancei a hipótese de que haveria por parte desse setor uma identificação com o projeto do presidente Lula, eu estava querendo dizer que essa camada se articulou, virou um ator político. É nesse sentido que foi feita a comparação com O 18 Brumário. Eu diria que o presidente deu provas expressivas de apego à democracia, e a maior delas é não ter patrocinado uma emenda em favor do terceiro mandato. Ele poderia ter feito, teria condições políticas para isso. Fez uma opção a favor da alternância do poder.
Um dos aspectos do populismo clássico é a identidade do líder com as massas, sem intermediários - característica de Lula. O presidente resvalou para o populismo em seu governo?
Lentamente, o lulismo está caminhando para o PT. Isso faz com que esse traço de ligação direta não esteja ocorrendo porque há fortalecimento de um partido político. Talvez o que exista é uma certa continuidade entre o lulismo e o getulismo, continuidade que não pode ser tomada fora do seu contexto. Estaria ligada ao fato de que tal como Getúlio Lula também parece estar incorporando setores que historicamente estavam fora do arranjo social principal, estavam à margem. Embora haja tantas diferenças entre a situação dos anos 50 e a atual, certa gramática política parece que voltou. Não temos elementos suficientes para falar em populismo.
A semelhança entre Vargas e Lula estaria na incorporação de classes excluídas ou há semelhanças entre os dois?
As semelhanças maiores teriam relação com essa incorporação e com o grau de autonomia que esse elemento de incorporação tenha dado a um e a outro. Essa autonomia leva a um componente importante que é a capacidade do presidente de arbitrar o conflito entre as classes.
O presidente Lula soube arbitrar conflitos de classe?
Sem dúvida. Foi um dos traços dos dois mandatos. Ele teve êxito nessa operação delicada. Um bom exemplo é perceber como dentro do governo há o agronegócio e setores que pressionam pela reforma agrária.
O sr. fala da incorporação de duas almas contraditórias ao PT (incorporação ao capital e inclusão social). Essa divisão está na cabeça de Lula?
A impressão que tenho é que ele opera por sínteses. O governo abriu espaço às duas almas.
Qual é o maior legado de Lula?
A incorporação, a inclusão social. O Brasil sempre operou por uma modalidade de permanência das elites com alta dose de exclusão. Esses oito anos abriram a porta, deram os passos iniciais para essa inclusão. Os exemplos são múltiplos, e vão desde o Bolsa-Família até a geração de empregos, passando pelo aumento do salário mínimo, crédito consignado.
Ao deixar o governo como "pai dos pobres", Lula incitou a divisão de classes no País?
Não incita divisão. Se a gente for fazer um balanço, vai prevalecer essa decisão de não promover a radicalização política. A política do governo não é radical, não incita a divisão. Embora não incite, essa divisão é real. O Brasil é um país muito desigual e foi de fato feita uma política em que favoreceu um setor da sociedade que estava historicamente fora. Esse movimento de inclusão social está produzindo uma certa polarização, que é sociopolítica. Até aqui essa polarização não tem dado sinais de ameaças à democracia. Enquanto isso estiver dentro dos marcos democráticos, não é necessariamente negativo. Há uma polarização com bases sociais. Os atores políticos e o presidente, em particular, não estão incitando uma polarização.
O sr. vê mudanças entre o primeiro e o segundo mandato?
Vejo. Houve uma certa inflexão "desenvolvimentista" no segundo mandato, inflexão à esquerda no sentido de flexibilizar o gasto público.
A crise do mensalão poderia ter custado a reeleição se Lula não tivesse apoio popular?
Poderia. O episódio marcou o afastamento de uma base eleitoral de classe média. Se em lugar de ter esse movimento de novas adesões ao presidente na base da sociedade em 2006 tivesse havido movimento de espraiamento da rejeição, diria que teria marcado um outro destino.

QUEM É
É doutor em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), jornalista, ex-porta-voz (de 2003 a 2007) e ex-secretário de Imprensa (no período de 2005 a 2007) da Presidência da República do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"O presidente esteve à beira de se tornar um autoritário"
Chico Oliveira, sociólogo aposentado da USP
Qual leitura o sr. faz dos oito anos do presidente Lula?
O balanço geral é mediano. Essa história de "nunca antes neste país" é conversa fiada. O Brasil foi a segunda economia mundial a crescer sustentadamente durante um século. Mas foi um crescimento feito sem nenhuma distribuição de renda. A gestão do presidente Lula não diminuiu desigualdade nenhuma, isso é lenda criada a partir de muita propaganda. O que houve foi uma transferência de renda a partir do governo para os estratos mais pobres. Distribuição ocorre quando existe a mudança da renda de uma classe social para outra. Nesse sentido, não houve nenhum avanço.
O sr. concorda com os que afirmam que Lula é um mito?
Sim, e como acontece em todos os casos o mito é maior do que a realidade. Ele construiu um mito poderoso devido a vários fatores, entre os quais, conta o muito o fato de ele ser de origem pobre. Até hoje o presidente é considerado um operário, mas não pega em uma ferramenta há 50 anos. Isso o ajuda a fomentar uma figura.
E o Bolsa-Família?
Nós fomos educados na ética cristã, que nos impede de sermos indiferentes à fome. Então, ninguém pode ser contra. Agora, politicamente, o programa diz que o crescimento econômico continua sendo excludente, que é preciso algo por fora do salário para dar condições de vida às pessoas. Outro fator grave é que ele é uma regressão, uma volta à política personalista, baseada no favor, algo ruim da tradição brasileira.
André Singer, cientista político e ex-assessor de Lula na Presidência, compara os anos Lula aos de Roosevelt (presidente dos EUA entre 1933 e 1945 e recuperou a economia daquele país). O senhor concorda?
Respeito muito o André como intelectual. Ele elevou o nível de debate no PT. Mas acho que há um equívoco da parte dele. Lula não pegou o País em uma grave crise. Os anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não foram gloriosos, mas não foram de quebradeira, de jeito nenhum. Roosevelt pegou os EUA no fundo da crise. Além disso, o André se esquece de que Roosevelt acabou com o trabalhismo americano. Entre as grandes democracias do mundo, a única na qual os trabalhadores não têm um partido é a dos EUA.
O sr. vê traços autocráticos no presidente Lula?
Montado nessa popularidade, ele exagerou. O presidente esteve à beira de se tornar autoritário. Foi além dos limites. Só duas pessoas no século 20 disseram, como ele, que eram a encarnação do povo: Adolf Hitler e Joseph Stalin.
Lula e o PT chegaram ao Planalto fazendo um discurso forte contra a corrupção. O sr. se decepcionou nesse quesito?
O poder absoluto corrompe muito. O presidente do Brasil pode nomear muitos cargos. Não há partido que resista a uma coisa dessas. O PT se perdeu no poder, ficou menor do que o presidente e não consegue impor seu programa. Lula e o PT tem um estilo predatório de administrar o Estado e lidar com as finanças públicas.
Lula foi melhor do que Fernando Henrique Cardoso?
Fui muito amigo do Fernando Henrique durante 12 anos e nos afastamos quando ele virou presidente. Fui revê-lo depois que ele deixou Brasília. Sei quem ele é e já fiz essa comparação. Fernando Henrique fez muito mal ao Estado com as privatizações. Ele, com isso, quebrou a capacidade de o Estado regular a economia, quebrou alguns instrumentos construídos com o sacrifício do povo para que o Estado pudesse intervir na economia. Mas tentou avançar institucionalmente, e essa é a grande diferença entre eles. O Lula não tem uma criação institucional. A República não avançou um milímetro com Lula. O que é celebrado na gestão Lula não se transformou em regra. Getúlio Vargas (ditador e presidente do Brasil de 1930 a 1945 e presidente de 1951 a 1954), quando criou as leis trabalhistas, obrigou as empresas a seguirem as regras da nova legalidade, que significavam uma nova hegemonia. A sociedade caminha pela luta de classes dentro dos caminhos que a hegemonia cria. Não ocorreu isso com Lula.
Mas e o aumento do salário mínimo não é um avanço?
Não, é um processo da economia, nada está garantido. Se amanhã a economia der para trás, o salário mínimo que se dane, não é um avanço. O salário mínimo do Juscelino Kubitschek (presidente entre 1956 e 1961) chegou, em valores de hoje, a R$ 1.500, e caiu porque as forças do trabalho não tiveram capacidade de sustentá-lo e porque logo depois viriam os governos militares. Avanços são direitos. Para ficar na história como um estadista, não apenas como um presidente popular, Lula deveria ter transformado, por exemplo, o Bolsa-Família em legislação constitucional. Não fez reformas. O Lula não é um estadista, de jeito nenhum. Ele não é aquele que constrói instituições que significam uma nova hegemonia.
O sr. estava entre os fundadores do PT...
Isso de fundador não faz muita diferença. Muita gente estava na fundação do partido (no colégio Sion, em São Paulo, em 1980) e depois nunca mais apareceu. O que interessa é a militância, e eu fui militante.
Como o sr. acha que a era Lula ficará para a História?
Se os historiadores tiverem juízo, ele será lido como o presidente mais privatizante da história. Ele não é estatizante, isso é falso, uma lenda que a imprensa inventou e que ele usa como arma. Ele é privatizante no sentido de estar criando regras para que poucos grupos controlem a economia brasileira, usando o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para isso. Com Lula, nós estamos entrando naquilo que a teoria marxista chamava de capitalismo monopolista de estado, do qual não há volta. Todas as vezes que essas forças crescem, as dos trabalhadores diminuem. É esse país que ele vai legar para a Dilma.
Diante da alta popularidade de Lula, o sr. se arrepende de ter saído do PT?
De jeito nenhum. Esse negócio de popularidade é como maré, vai e volta.
QUEM É
Chico de Oliveira é professor aposentado de sociologia da Universidade de São Paulo, da qual recebeu o título de professor emérito, e foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento. Entre seus livros, destaca-se Crítica à Razão Dualista.


Governadores já têm lista de cobranças (Págs. 1 e H22)

Foto Legenda: Adeus. Lula em seu último dia de governo.

Mensagem: O que eles esperam da nova presidente

Celebridades como a cantora Fernanda Takai e anônimos falam de suas expectativas para o governo Dilma. (Págs. 1 e H24)

Diversidade

Roteiro da posse

13h50: Em carro fechado, Dilma deixa a Granja do Torto, onde mora

14h10: Chega à Catedral, embarca no Rolls-Royce e segue em desfile

14h30: É recepcionada no Congresso, onde lê discurso e toma posse

16h30: Recebe a faixa presidencial

16h50: Cumprimenta chefes e vice-chefes de Estado ou de governo

17h15: Faz pronunciamento à Nação

19h:00 Recebe missões especiais estrangeiras e autoridades brasileiras.
Lula mantém Battisti no Brasil; para Itália, decisão afronta justiça
No último dia de mandato, o presidente Lula decidiu negar ontem a extradição, para a Itália, do ex-ativista de esquerda Cessare Battisti, condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos em território italiano durante a década de 70. Lula referendou o entendimento da Advocacia-Geral da União de que há “razões ponderáveis para supor” que Battisti poderia ter a situação agravada, inclusive com risco de sofrer perseguição política na Itália. O premiê italiano, Silvio Berlusconi, convocou seu embaixador no Brasil para consultas e expressou “profunda tristeza” pela decisão de Lula, dizendo que é “uma posição contrária ao mais elementar sentido de justiça”. Ele prometeu continuar a “batalha para que Battisti seja entregue à Justiça italiana”. Ministros do Supremo Tribunal Federal dizem que o caso ainda pode ser revisto. (Págs. 1, nacional e A4)
Lula veta lei e cria por MP o cadastro positivo (Págs. 1 e B1)
Greve faz Exército boliviano vender pão (Págs. 1 e A8)
Marcelo Rubens Paiva – Uma nova via, um novo feito
Dilma, eleita, prova ser diferente de Dilma candidata. Há problemas que em 16 anos não foram resolvidos. Quem sabe agora rola? (Págs. 1 e D12)
Tutty Vasques – A ressaca da posse
Posse de presidente no primeiro dia do ano, o Dia Mundial da Ressaca, é um desses troços que não entram na cabeça de ninguém. (Págs. 1 e C4)
Notas & Informação
A presidente de todos os brasileiros

Dilma difere em tudo do homem que a levou à presidência. (Págs. 1 e A3)

Correio Braziliense

Feliz 2011
Lorenzo Damasceno tem apenas um ano de idade. Vive numa cidade moderna que nasceu para desafiar o mundo,construída no meio do Cerrado e contestada pelos céticos e pessimistas. Mas Brasília cresceu. Hoje, enfrenta os mesmos problemas dos grandes centros urbanos. Anacláudia,42 anos,a mãe de Lorenzo, está entre os brasilienses que acreditam ser possível resgatar a qualidade de vida que projetou a capital para o mundo.“Sonho com uma cidade sem violência, onde as crianças possam brincar tranquilas nos parques e as casas não necessitem de grades e muros altos para proteger as famílias”, imagina.O Correio ouviu pais de jovens candangos para saber o que eles esperam do DF nos próximos 50 anos. (Pág. 1)
Lula mantém Battisti no Brasil
Presidente acata parecer da Advocacia-Geral da União e concede refúgio político ao ativista italiano (Pág. 1)
Escudeiras de Dilma
O gabinete da presidente terá 13 mulheres, entre assessoras e seguranças. Todas foram escolhidas pessoalmente por ela. (Págs. 1 e 4)
Depois da posse, um desafio monumental
Dilma Rousseff assume hoje a presidência da República com a missão de manter a popularidade do governo. Confira o roteiro da festa na Esplanada. (Págs. 1 e 2)
A missão do dr. Agnelo
Ao Correio, o futuro governador afirma que será preciso um “tratamento de choque” para reconduzir o DF à normalidade. (Págs. 1 e 19 a 23)

Estado de Minas

Anastasia duvida de retaliação de Dilma
Antonio Augusto Anastasia (PSDB) toma posse hoje, às 14h30, como governador reeleito de Minas Gerais, com o compromisso de aumentar a participação popular na sua gestão. Em entrevista ao EM, diz esperar um bom relacionamento com a presidente Dilma Rousseff (PT). “Haverá um entendimento administrativo, o que não significa que não haverá oposição. Isso se fará em razão dos programas, dos projetos, dos princípios e dos valores”, afirma. Ele promete um governo de continuidade ao do antecessor, o senador Aécio Neves, com avanços em áreas fundamentais, como saúde e educação. (Pág. 1)
Primeira mulher assume a presidência
Dilma Rousseff será acompanhada pela filha Paula no desfile presidencial pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Às 17h15, receberá a faixa do presidente Lula. Para o grande público, estimado em 70 mil pessoas, haverá shows de cantoras, como Elba Ramalho, Fernanda Takai e Zélia Duncan. A festa vai custar R$ 1,5 milhão. (Págs. 1 e 3)
Lula nega extradição a Battisti e abre crise
Presidente contraria STF e concede refúgio ao ex-terrorista. Decisão irrita governo italiano. (Págs. 1 e 7)
Novo governo
Inflação é o primeiro desafio

Brasil vai manter índice de crescimento para este ano. Mas controle de preços deve levar o governo de Dilma Rousseff a adotar medidas impopulares. (Págs 1, 12 e 13)
Indústria
Faturamento este ano deve chegar a 6,5%

Indústria mineira fixa estimativa de negócios e cobramedidas para conter desvalorização do dólar e garantir mais competitividade. (Págs. 1, 12 e 13)

G1

Conheça os novos governadores.

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,AA1403373-5601,00.html

Fontes: Radiobras – JBWiki! - G1.

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Comentários
01
Reporte abuso
Alfabetizado Paulista
São Paulo 01/01/2011

Só concordo que dilmamentiras é um abuso. Agora, se vc. quer debater política, leia o que disse Chico de Oliveira, um intelectual certamente maior que você. Ou fique com o pequeno André Singer. Este site, aliás, ajuda a construir o mito Lula, que, agora, começará a ser revelado. Deixou por vários dias em destaque um discurso de grevista de Lula, veja só, feito há 30 anos. Ah, quem foi contra o país foram os escândalos do governo Lula.


 
02
Reporte abuso
luizsorrab
São Bernardo do Campo 01/01/2011

Deu no papel do BW, agora tem concorrência do dilmamentiras. Tarefa sombria como no mito da caverna. Destacar o que se a mídia é "sempre" contra o povo. Contra a auto-estima, contra o equilíbrio, contra o otimismo. Falsa fiscalização, à qual se auto atribui pretensiosamente, para esconder seus escusos interesses. O que importa são as versões e não os fatos. A noticia (para vender jornal) é o inusitado: "uma criança mordeu um cachorro". A manchete é texto sem contexto, ou melhor; contra o pais.


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