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Economia

O preço da água da transposição do Rio São Francisco

1749 acessos - 1 comentários

Publicado em 01/12/2010 pelo(a) Wiki Repórter Didymo Borges, Recife - PE



Nos prolongados períodos de estiagem no perímetro semi-árido nordestino, os rios secam e seus leitos racham sob a inclemência do sol abrasador. O sertanejo nordestino se vê obrigado a se desfazer dos rebanhos para não tê-los dizimados pela falta dágua.. - Foto: Dreamstime Photos
 Há um argumento que põe em dúvida toda a justificação das obras de transposição do rio São Francisco que é o relacionado com o custo da água. Argumentam os que são contrários à obra que, se a água será demasiado cara, a validade da transposição como obra tendente a minorar a carência de recursos hídricos no semi-árido nordestino fica irremediavelmente prejudicada.

Em recente reportagem publicada na Folha de S.Paulo,a jornalista Sofia Fernandes argumenta nos seguintes termos: “Após transposição, nordestino deverá pagar R$ 0,13 por mil litros, enquanto valor médio nacional é de até R$ 0,02”. Em outras palavras: o custo da água da transposição é mais de seis vezes mais cara que a média do preço nacional. Segundo a reportagem, será este o custo da água que será cobrada ao nordestino que utilizar a água da transposição conforme o Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco.

A contabilidade para determinar o custo da água leva em conta, inclusive, a complexidade do sistema de transposição e a energia elétrica necessária à adução. No caso do Ramal Norte será necessário elevar a água a quase duzentos metros de altura entre o nível da águas do rio São Francisco e o pico dos canais de adução. No Leste a adução terá de vencer uma diferença de altura ainda maior, da ordem de 300 metros. O custo da energia necessária para adução será o principal componente do custo da água que terá de vencer a serra da Borborema que se estende no sentido Norte-Sul no interior do Nordeste.

Diante da realidade perguntam os céticos: não seria estes dados motivo suficiente para inviabilzar o sistema de transposição ? Não se pode dar uma resposta a esta questão sem fazer considerações comparativas e a realidade econômico-social do Nordeste. Em primeiro lugar é necessário considerar que nos períodos de estiagem o governo federal paga em torno de R$ 7,00 por metro cúbico dágua transportado em caminhões-pipa. Então, a comparação do preço da água do transposição não deve ser feita com o custo da média nacional, mas com o que o governo paga para a dessedentação de humanos e animais nos períodos mais prolongados de seca no interior do Nordeste quando se paga pela carga de 7 mil litros de um caminhão-pipa um frete de R$ 70,00. Como no semi-árido o reservatório de água das casas é, comumente, o da cisterna, a água é ali depositada para o consumo humano, seria impensável usar água transportada por vezes dezenas de quilômetros para outra finalidade que não uso humano ou, quando muito e em casos extremos , para dessedentação animal. É que a bovinocultura no semi-árido se torna inviável quando a dessedentação do rebanho é feita com água transportada por caminhão. Antes disso, o nordestino já terá vendido o rebanho em risco de ser dizimado pela falta dágua. No Plano Nacional de Recursos Hídricos é previsto para uso animal um consumo per capita em litros/dia de 100 para suínos, de 40 para bovinos e de 0,4 para aves entendendo-se que se incluem não só a demanda para dessedentação mas toda a demanda ligada à criação dos animais.

Em resumo, salvo melhor juízo, há um erro fundamental nas conjecturas que são feitas a respeito da viabilidade da transposição do rio São Francisco quando o custo da água conduzida nos canais é comparado com o custo da média nacional. Na verdade a conta só fica certa quando a comparação é feita com o custo da água alternativa transportada em caminhões-pipas ou de trem nos períodos de estiagem mais prolongada.

Didymo Borges
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Folha de S.Paulo

São Paulo, segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A ÁGUA DO SÃO FRANCISCO SERÁ A MAIS CARA

Após transposição, nordestino deverá pagar R$ 0,13 por mil litros, enquanto valor médio nacional é de até R$ 0,02

Governo diz que terá de responder por captação e bombeamento da água e que preço se deve à complexidade da obra

SOFIA FERNANDES
DE BRASÍLIA

Da torneira do nordestino atendido pela transposição do rio São Francisco vai pingar a água mais cara do país.

O Conselho Gestor do Projeto de Integração do São Francisco avalia cobrar dos Estados atendidos pela obra R$ 0,13 por mil litros de água.

O dinheiro será recolhido pela Agnes, estatal em gestação na Casa Civil. A empresa vai gerenciar as operações da transposição do rio e a distribuição da água para as previstas 12 milhões de pessoas beneficiadas.

O preço médio cobrado em outras bacias hidrográficas pelo uso da água é de R$ 0,01 a R$ 0,02 por mil litros. A Sabesp, por exemplo, paga R$ 0,015 ao comitê gestor da bacia do rio Piracicaba, fonte de metade da água consumida na cidade de São Paulo.

COMPLEXIDADE

O valor mais elevado, afirma o governo, se deve à complexidade do projeto de transposição e ainda porque a Agnes será a responsável pela captação e pelo bombeamento da água.

No entanto, os quatro Estados envolvidos (Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará) terão de investir em obras internas para dar capilaridade à rede de água e ainda precisarão pagar uma taxa fixa à Agnes, provavelmente mensal.
Em construção, os canais para a transposição do rio São Francisco têm 25 metros de largura, 5 metros de profundidade e 622 quilômetros de extensão, somando os dois eixos.

O porte das obras e os obstáculos naturais, como a Serra da Borborema, que vai de Alagoas ao Rio Grande do Norte, explicaria o alto custo de transportar a água no semiárido nordestino. Para isso, serão necessários potentes mecanismos de bombeamento.

SUBSÍDIO

O governo não diz se haverá mecanismo para amortizar o custo do consumidor final nos quatros Estados.

Em teoria, as obras do São Francisco têm um foco prioritário, que são os pequenos agricultores das terras secas do sertão e do agreste nordestinos.

O Ministério da Integração, responsável pelo empreendimento, afirma que o assunto está em fase de análise e de debates com os Estados receptores.
Para que o projeto seja viável, é possível que os Estados promovam subsídios cruzados, aumentando as tarifas de grandes centros urbanos que não receberão as águas da transposição do Velho Chico, como Recife.

A Agnes terá de apresentar um relatório de custos, explicando os motivos para o elevado preço da água.

Essa tarifa deverá cobrir os gastos do sistema de transposição em funcionamento, nem mais nem menos.

"Temos de avaliar a planilha de custos da agência para saber se o preço está certo. A tarifa deve cobrir os custos de manutenção e operação do sistema", diz Patrick Thomás, gerente de cobrança pelo uso da água da Ana (Agência Nacional de Águas).

Um dos maiores críticos do projeto, o pesquisador João Suassuna, da Fundação Joaquim Nabuco, acha difícil que o agricultor das áreas atendidas pela transposição consiga pagar essa conta.

"Os colonos do Vale do São Francisco hoje já estão com dificuldades para pagar por uma água a R$ 0,02. Imagine com esse preço", afirma o Suassuna.

Mas o pesquisador vê outro problema. O porte das obras e o volume de água deixam patente que o propósito da transposição não é matar a sede e a fome de quem vive na seca.

A mira, afirma, está no agronegócio para exportação, a criação de camarão e o abastecimento de indústrias.


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Publicado pelo(a) Wiki Repórter
Didymo Borges
Recife - PE



Comentários
01
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Jose Lustosa Cabral
Fortaleza - CE 03/04/2011

Pior do que o preço a ser pago é não ter água.


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