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ECONOMIA
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Catadadores urbanos, a novíssima e emergente classe socialPublicado em 19/11/2008
A autora - Foto: DMG
Eles sempre podiam ser vistos nas ruas e vielas. Puxavam uma espécie de carroça de duas rodas com alças na frente e por isso eram chamados de "burros sem rabo". Sempre se caracterizaram por estarem à margem da sociedade nos bairros e comunidades, pois muitos se originaram e de confundiam com as populações que habitavam as ruas.
Vários deles foram muitas vezes combatidos e ou reprimidos por "batidas" policiais, pois eram vistos como mendigos e desocupados que recolhem lixo nas ruas. Ainda são vistos como aqueles que vivem da coleta e revenda dos restos dos resíduos e da comida que não queremos mais. Quando passamos por um catador de lixo, principalmente no centro da cidade, nos damos conta que existe todo um considerável grupo de pessoas que vive quase que exclusivamente da coleta, triagem e reciclagem do lixo não-orgânico colhido quase sempre no final do dia. Quando todos estamos indo para nossas casas, eles entram em ação catando papel, latas de alumínio, garrafas pet, copos e pratos de PVC, além de vidros e metais em geral.
Os atuais catadores urbanos podem ser comparados com a antiga classe operária que começou a se firmar nas camadas sociais nos primórdios o século 18, no início da revolução industrial, onde famílias inteiras trabalhavam vendendo sua força de trabalho em troca de uma remuneração.
Hoje, os catadores estão se profissionalizando cada vez mais, e como no século 18 se firmam como nova classe social e profissional. Unidos em cooperativas que estão prestando cada vez mais serviços para empresas e comunidades em geral. Cada vez mais empresas estão procurando aliar práticas ecologicamente corretas com trabalho social, então buscam estas cooperativas para formalizar parcerias para coletas de material reciclável que antes era considerado lixo, mas hoje latas de alumínio, garrafas pet, papelão, etc já são amplamente disputados como insumos que vão virar material e ou produtos recicláveis que vão desde as tradicionais latas recicladas às camisetas confeccionadas com material vindo do PET.
As mídias regionais estão cada vez mais atentas a estas questões. Por exemplo, o Jornal do Grande Rio partiu na vanguarda, demonstrando preocupação em implementar e difundir iniciativas sócio-ambientais, alinhando-se se a uma tendência mundial cada vez mais comum a todos que querem contribuir para a diminuição da poluição urbana e proporcionar emprego e renda para os catadores urbanos.
Outro exemplo interessante é a parceria em eventos de médio e grande portes onde as cooperativas de catadores urbanos podem perfeitamente contribuir para a coleta dos materiais recicláveis. Podemos citar como exemplo de parcerias positivas do ponto de vista social e ambiental: no carnaval de 2007, a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio, fez um, até então, inédito convênio com duas cooperativas de catadores para que estas recolhessem todo o material potencialmente reciclável no Clube Monte Líbano que fica na zona sul do Rio de Janeiro e que foi deixado pelo enorme público que pulou entusiasticamente durante vários sábados, quando a Grande Rio fez seus ensaios antes do desfile oficial na Marques de Sapucaí.
Todos os sábados, durante e logo após o término dos ensaios, cinco catadores cooperativados e devidamente paramentados com uniformes, botas e luvas de borracha, ficaram responsáveis pela coleta de aproximadamente 800 kilos de latas de alumínio, 80 kilos de material de PET (garrafas) e 5 kilos de material de PVC (copos, pratos, etc). Todo este material foi coletado em apenas quatro sábados e as cooperativas.
Segundo os presidentes das duas cooperativas presentes: Luiz Carlos, da Coopama e Márcio Carvalho, da Febracom (Federação que reúne 14 cooperativas com catadores e prestadores de serviço), todo material foi recolhido em caminhões e levado para ser triado e reciclado rendeu aproximadamente R$ 783,00. Nada mau para os cooperados que trabalharam e ainda de divertiram um pouquinho, curtindo os ensaios.
A renda auferida pela venda deste material será integralmente revertida para as cooperativas e dividida entre os catadores, agregando mais renda a uma classe de trabalhadores que está cada vez mais longe da era dos antigos "burro sem rabo". Esta é uma amostra real de como a sociedade sempre evolui....
(*)Denise de Mattos Gaudard tem graduação em Administração com ênfase em Gestão Empresarial, pela Univ Santa Úrsula (USU-RJ). Pós-graduação em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e Comércio Exterior pela Univ Católica de Brasília (UCB). Extensão em Educação Ambiental, pela Univ Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Gestão de Projetos pelo Project Management Institute (PMI-RJ). Consultora de Gestão Empresarial e Socioambiental, com foco em projetos de gestão de resíduos, energia renovável, mercado de créditos de carbono e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Criadora do PROJETO BIOREDES que visa a implantação da formação de redes cooperativadas que conjugam coleta seletiva com reciclagem reversa de oleo de fritura feita por associações e ou cooperativas de catadores urbanos (junto a prefeituras e com empresas financiadoras parceiras). Escreve artigos em mídias nacionais, participa de seminarios, palestras e ministra cursos sobre implantação de projetos MDL, florestais; modalidades Quioto e Não Quioto.
Contatos: denisedemattos@gmail.com
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COMENTÁRIOS
25/11/2008 - SPOCK - São paulo Conheço a realidade das Cooperativas de Reciclagem. Praticamente sobrevivem. Os preços de venda dos produtos caíram substancialmente inviabilizando a coleta de muitos segmentos de reciclados. As Centrais de Coleta ainda necessitam de subsídios do Poder Público, pois não se auto-sustentam com o atual custo operacional. Só há uma forma de realizar em 100% a coleta seletiva: licitação para PERMISSIONÁRIAS coletarem todos os recicláveis residenciais em uma determinada região. 24/11/2008 - DENISE DE MATTOS GAUDARD - Rio de Janeiro Prezado Paulo Guilherme,
Creio que podemos ter interesses e ações em comum. Por favor, entre em contato comigo no email denisedemattos@gmail.com. 24/11/2008 - DENISE DE MATTOS GAUDARD - Rio de Janeiro "Fala-se tanto da necessidade deixar um planeta melhor para os nossos filhos e esquece-se da urgência de deixarmos filhos melhores (educados, honestos, dignos, éticos, responsáveis) para o nosso planeta, através dos nossos exemplos....." 23/11/2008 - nois é nois - nois-cada dia mais tranqüilos--será??? Na minha condição de Matuzalém fico bastante contente e no mesmo tempo preocupado, sabem por quê?? Quando um jovem, e neste caso uma jovem, começa a tomar as rédeas da desigualdade social fica muito perigoso. Alguém fazendo parte das tantas falcatruas, roubalheiras no país, acaba havendo descontentamento das quadrilhas e finda no perigo eminente de retaliações por parte dos mesmos. Temos casos ainda nebulosos pelos descontentes onde houve morte de dois componentes do então sistema petista, Celso Daneiel,e Toninho ex prefeito de Campinas,a turma do vulgo Sombra não está de brincadeira,mexeu com eles todo cuidado é pouco,será mesmo quê vivemos em uma plena e restrita democracia?? naõ duvido, mas tenho duvidas__Fui-saionára menina, Denise quê os Deuses á protejam-boa sorte!! 20/11/2008 - José Maria - São Paulo O Brasil precisa de pessoas do seu nível cultural para salvar a pátria, juntando com cooperação e não esquecendo da educação. Vamos nos unir, transferir informações para que este País seja respeitado. Parabéns ao baiano e a carioca e a você "Lee" que sempre nós brinda com suas reportagens. 20/11/2008 - Paulo Guilherme Corrêa - Salvador Prezada Denise,
Excelente reportagem. Somos uma empresa de reciclagem de PET instalada em Salvador e já produzimos resina pet a partir de garrafas pós consumo onde o produto final já está homologado pela ANVISA para a produção de embalagens que venham a ter contato com alimentos. A reciclagem de PET no Brasil já está com indíces próximos a 60% e o trabalho profissinal das cooperativas com certeza é uma realidade com grandes perspectivas de crescimento. 19/11/2008 - Lorena Lee - São Paulo Muito bom o texto! Se você é um wiki repórter, faça o login e seu comentário será postado imediatamente.
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RECADOS DO EDITOR Oportunismo "Collor é um Ciro que deu certo, e o resultado é esse mesmo... oportunismo político". Do wiki repórter Johan, de Fortaleza, sobre Jingle da campanha de Collor: seria cômico se não fosse trágico, publicada por Júlio Ferreira, do Recife.
Estado de espírito "Carioca ama o Brasil, seja no frio ou no inverno. Acredite no que digo. Carioca é estado de espírito. Carioca é politizado e hospitaleiro na acepção do termo. Educado, inteligente, assim como você. Vai por mim, carioca, assim como todo brasileiro (não politiqueiro)". Do wiki repórter josemir(aolongo...), de Volta Redonda, sobre Não parece o Brasil, cara-pálida?, publicada por luferom, de Brasília.
Prostitutas do fisiologismo "O velho Arraes deve estar se remoendo no túmulo em saber que seu neto não passa de um subalterno do PT. Deu descarga no PSB. Espero que tenha valido a pena, ou será que foi apenas para comer as sobras do banquete das grandes prostitutas que vivem de fisiologismo (PT e PMDB)?" Do leitor John Castle, de São Paulo, sobre Ciro Gomes pode desestabilizar polarização Serra-Dilma, de autoria de Didymo Borges, de Recife.
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