|
![]() |
||||||||||||
|
![]() |
![]() |
![]() |
COTIDIANO
acessos A caridade malditaPublicado em 01/11/2008
Cartoon - Foto: Eduardo dos Reis Evangelista Lembremo-nos do filme Tropa de Elite. Nele, os usuários de drogas foram arrancados da confortável posição de dependentes químicos para a de financiadores do tráfico. Comparativamente, quando damos esmolas estamos, sem dúvida, contribuindo para a proliferação da criminalidade. E é fácil analisar este aspecto. Quando damos esmolas, particularmente à crianças, o que lhes estamos ensinando? Que elas não precisam estudar e, mais adiante, trabalhar para garantir o seu sustento. Basta fazer uma encenação nos sinais de trânsito que, condoídos, fazemos a nossa caridade vazia, dando início a um círculo vicioso difícil de ser quebrado. Mas ela vai crescer e virar um adolescente, figura que já não toleramos tanto. Estará mais forte, mais afoito e menos paciente, pois os hormônios inundarão os seus cérebros e músculos, conferindo-lhes uma falsa sensação de poder ilimitado.
Certamente, não apurará tanto quanto uma criança, mas suas necessidades físicas e psicológicas aumentaram. Quando negada a esmola, a revolta começa a se instalar de forma cumulativa, desembocando no primeiro delito mais sério: o assalto. Percebe, então, o jovem marginal que, quanto maior a sua agressividade e o risco assumido, maior a possibilidade de "lucro". A rua passará a não ser tão interessante, tal qual um empresário que quer ampliar seus negócios ao aumentar sua firma e sua área de atuação. Neste ponto, com raras exceções, não há mais volta. O marginal já está formado e tão entranhado no mundo do crime que, muitas vezes, só a morte o libertará. Ao fazer, até com boas intenções, a caridade dos sinais, estamos, inadvertidamente, criando o meliante que invadirá as nossas casas, as nossas empresas e que nos sequestrará ou estuprará as nossas filhas, além de assassinar os nossos filhos. É isso mesmo! Aquele menininho meigo dos cruzamentos será o nosso algoz implacável e nada misericordioso. A caridade que pensamos ter feito, criou um monstro de proporções gigantescas contra nós mesmos. Existem outros aspectos importantes sobre o assunto, que precisam ser analisados. O governo já o nosso sócio indesejável quando nos tira quase quatro meses de trabalho por ano em cobrança de impostos. Uma vez arrecadados, não são aplicados convenientemente - por razões diversas que variam da incompetência à corrupção - nos setores básicos da formação de uma sociedade: educação, saneamento básico, saúde, segurança e habitação. Então, e não sei por que razão, resolvemos "dar uma mãozinha" ao nosso inepto governo, e, tomados de uma culpa sem sentido, oferecemos esmolas. Reparemos no absurdo que cometemos ao dar esmolas: ajudamos o nosso sócio relapso, que não cumpre o seu dever de casa, e financiamos aqueles que tomarão o que conquistamos, isso quando não subtraem do nosso convívio, parentes e amigos. Ainda pior: o nosso parceiro de sociedade forçada ainda acha pouco e cria programas sociais baseados na esmola, ou seja, dando o ganho material, o objetivo, e dispensando do pobre os meios honestos para consegui-lo. Muitos de nós, que sustentamos nas costas a sociedade da qual fazemos parte, já fomos ao fundo do poço e demos a volta por cima. Não gostaríamos de passar por muitas coisas que já enfrentamos, mas elas foram fundamentais na nossa formação e causa de nossas atuais conquistas. Ir à bancarrota financeira e emocional pode ser muito bom quando não assumimos o papel de vítima e encaramos dificuldades como oportunidades, e não como punição divina, coisa de religião, uma outra praga. Será que, evitando que pessoas cheguem verdadeiramente ao chão do buraco, não estaremos tirando delas a possibilidade de, uma vez na dificuldade, encontrarem caminhos de volta e se tornarem cidadãos produtivos e responsáveis? Será que, após impiedosamente espremidos pelos impostos cobrados, aprendêssemos a cobrar com maior autoridade e sem "reclamismos" a atuação decente e competente de nossos "empregados", os políticos, não seria mais adequado? Façam isso antes que eles inventem o imposto do mendigo, que seria a institucionalização da marginalidade e do ócio improdutivo. Quando damos esmolas, ensinamos aos pedintes que eles são seres incapazes e inferiores, o que, nada realidade não o são. Quantas pessoas saíram da miséria e hoje são bem-sucedidas? Quantos potenciais médicos, empresários, advogados, administradores, técnicos e artistas têm nessa população marginalizável e, como conseqüência, marginalizada? É justo um trabalhador receber um salário-mínimo (ou seria mísero?) e um mendigo ganhar 400, 500 reais, ou até mais, sem produzir absolutamente nada de positivo? Perguntem quantos deles querem trabalhar com carteira assinada e constatem que a maioria não quer. Como o ser humano tem a tendência em se acomodar, a doação torna-se um meio de vida. E subsistirá aquele que for mais competente na arte da encenação. Muitos de nós têm uma ou mais histórias acerca da ingratidão. Quantas vezes ajudamos pessoas supostamente necessitadas e tivemos como recompensa um belo pé-no-traseiro? É que, intimamente, elas se sentiram agredidas e ficaram revoltadas não exatamente com nós que as ajudamos, mas com elas mesmas em função da própria condição de derrotadas (e de derrotáveis). E um agravante sócio-cultural: a mendicância é veladamente estimulada pela maioria das religiões, particularmente a católica, que prega hipocritamente o culto à pobreza e à subjugação, mas, em seu núcleo, esbanja uma invejável saúde financeira e um dominador poder de Estado. Aos "caridosos de plantão" que querem contribuir verdadeiramente, uma sugestão: não dêem esmolas. É um ato de covardia e severamente contraproducente. Acomoda e exime o governo, que já é financiado pelos seus impostos, de tomar as medidas básicas para abrandar a abismal má distribuição de renda existente. Consequentemente, eximem também os pedintes da obrigação (obrigação mesmo!) de guiarem suas próprias vidas e não mais serem pesos-mortos na sociedade. Façam isso sem culpa: não dêem esmolas! Talvez vocês evitem que aquele garotinho choroso do sinal, que colocava uma florzinha nos pára-brisas de seus carros, um dia coloque um "três-oitão" nas suas têmporas e subtraia os frutos das suas conquistas, se não tirar as suas vidas. Só os que já passaram por isso - e não foram sumariamente executados - sabem intimamente ao que me refiro. COMENTÁRIOS 03/11/2008 - Tânia - Franca 01/11/2008 - SPOCK - São paulo 01/11/2008 - SPOCK - São paulo Se você é um wiki repórter, faça o login e seu comentário será postado imediatamente. COMENTAR - nome e cidade são obrigatórios
|
![]() |
![]() |
![]() |
RECADOS DO EDITOR Oportunismo"Collor é um Ciro que deu certo, e o resultado é esse mesmo... oportunismo político". Do wiki repórter Johan, de Fortaleza, sobre Jingle da campanha de Collor: seria cômico se não fosse trágico, publicada por Júlio Ferreira, do Recife. Estado de espírito "Carioca ama o Brasil, seja no frio ou no inverno. Acredite no que digo. Carioca é estado de espírito. Carioca é politizado e hospitaleiro na acepção do termo. Educado, inteligente, assim como você. Vai por mim, carioca, assim como todo brasileiro (não politiqueiro)". Do wiki repórter josemir(aolongo...), de Volta Redonda, sobre Não parece o Brasil, cara-pálida?, publicada por luferom, de Brasília. Prostitutas do fisiologismo "O velho Arraes deve estar se remoendo no túmulo em saber que seu neto não passa de um subalterno do PT. Deu descarga no PSB. Espero que tenha valido a pena, ou será que foi apenas para comer as sobras do banquete das grandes prostitutas que vivem de fisiologismo (PT e PMDB)?" Do leitor John Castle, de São Paulo, sobre Ciro Gomes pode desestabilizar polarização Serra-Dilma, de autoria de Didymo Borges, de Recife. |
![]() |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|