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Novo conceito de segurança nacional

Publicado em 25/08/2008 pelo(a) wiki repórter Didymo Borges, Recife-PE

Merece atenção a matéria da revista IstoÉ desta semana, sobre as inovações em termos de política de segurança nacional que o governo federal está desenvolvendo. O principal ponto que deve ser considerado é a parceria com a França em termos de desenvolvimento tecnológico das Forças Amadas brasileiras. Merece atenção, especialmente, os investimentos para reestruturação da Marinha de guerra, que terá, inicialmente, construídos três novos submarinos da classe Scorpène, movidos a diesel e que servem de escopo para a tecnologia de casco para a construção do primeiro submarino nuclear brasileiro.
 
A Aeronáutica será contemplada com a construção e o lançamento de novos satélites geoestacionários para fins militares, bem como com a construção de caças supersônicos Rafaele, além da aquisição de aviões de transporte militar da classe C-390, que competem com os formidáveis Hércules americanos. E o Exército será reequipado com a construção de modernos helicópteros de transporte militar, bem como com blindados sobre rodas, além de "chipar" todos os seus soldados, que portarão chips para identificação e localização.


O plano de desenvolvimento tecnológico das Forças Armadas na sua primeira etapa estão orçados, preliminarmente, em R$ 7 bilhões.


IstoÉ-EXCLUSIVO - 21/08/2008


AS FORÇAS ARMADAS SEGUNDO JOBIM


Plano de Defesa Nacional prevê França como parceira estratégica e tecnológica na Marinha, Aeronáutica e Exército


OCTÁVIO COSTA E HUGO MARQUES


No dia 7 de setembro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, entregará ao presidente Lula o Plano Estratégico de Defesa Nacional. O projeto vai além da compra de equipamentos bilionários para a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O objetivo é mudar a concepção de defesa nacional e redirecionar as prioridades das três Forças. Como principal parceiro no plano militar para as próximas décadas foi escolhida a França de Nicolas Sarkozy. É de lá que virão equipamentos como submarinos convencionais, helicópteros e, quase certo, também os caças supersônicos. Sarkozy ganhou a disputa ao garantir ao presidente Lula que a França não criará nenhum obstáculo à transferência de tecnologia para o Brasil.

"Temos acordos com os franceses no que diz respeito à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica. Em 23 de dezembro, o termo de aliança estratégica com a França será assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy", antecipou o ministro Jobim em entrevista exclusiva à ISTOÉ. "Isso nos dá a possibilidade de sair ao largo da hegemonia americana no setor. O que faz parte da linha de ação do Conselho de Defesa Sul-Americano." A forte contribuição da França começa pelo mar. Caberá à Marinha os maiores investimentos no plano de Jobim. O Brasil construirá submarinos em parceria com a francesa DCN (Direction des Constructions Navales). Inicialmente, serão fabricados três submarinos convencionais Scorpène, de propulsão a diesel. Depois, o Brasil vai incorporar a tecnologia da DCN para produzir seu primeiro submarino de propulsão nuclear. "O Scorpène nos dará condições de produzir a parte não nuclear do submarino de propulsão nuclear, que é a tecnologia de rigidez do casco", diz Jobim.
 
"O submarino nuclear é uma decisão já tomada." O acerto entre os dois países na área marítima foi negociado entre Lula e Sarkozy durante reunião em Caiena, em fevereiro. Para os acertos finais do acordo, o chefe do Estado- Maior da Presidência da França, Edouard Guillaud, assessor militar do presidente, esteve duas vezes em Brasília, a última no dia 23 de julho. O projeto completo dos submarinos chega a US$ 7 bilhões, cifra que pode mudar. "Talvez, mais", diz Jobim. O País, no momento, negocia na ONU a extensão das águas jurisdicionais das atuais 200 milhas para 350 milhas, o que aumentará a área de 3,5 milhões para 4,5 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo todo o mega-campo de petróleo Tupi.

Para o Exército, uma das novidades é a construção de postos em todas as áreas indígenas de fronteira. Hoje, o Exército tem 17 mil soldados na região. Os soldados índios receberão fuzis novos, binóculos de visão noturna e chips nos equipamentos, para rastreamento. É o que o ministro chama de "soldado do futuro". "Um soldado índio com chip", explica Jobim. "É outro ponto em que contamos com a colaboração dos franceses." O ministro afirma que o Brasil já tem os guerreiros de selva mais competentes do planeta, mas destaca que os novos equipamentos irão inserir o Exército na modernidade. "Os marines americanos foram lá fazer treinamento e quase morreram, foram embora doentes, de maca, cheios de mosquito, não se agüentam." O Exército possui 184 mil homens. Juntas, as Forças Armadas têm 308 mil homens, mas a maioria do aquartelamento está no leste do País.

O governo pretende criar na Amazônia a figura do "exército móvel". São brigadas com grande capacidade de mobilidade e logística. Para atender os batalhões móveis, o governo vai investir pesado na construção de blindados sobre rodas em Sete Lagoas, Minas, um projeto da Fiat-Iveco, e nos aviões C-390 da Embraer, semelhantes aos Hércules americanos. O plano prevê a integração ainda maior do Exército com a FAB, que vai dar suporte aéreo principalmente na Amazônia. Outra ferramenta importante do exército móvel serão os 50 helicópteros fabricados em Itajubá, pela Helibrás, consórcio com a também francesa Eurocopter. A fábrica atenderá as três Forças. O modelo Cougar 725 não é ataque: destinase ao transporte de materiais e tropa. Esse acordo já foi assinado

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COMENTÁRIOS

25/08/2008 - Roberto - Aracaju
Alguém conhecia o Projeto e a execução da Fábrica na Bahia, denominada de ENGEX, que depois passou para FNV? São projetos como estes, que nós brasileiros, não conseguimos alcançar às razões para desmobilização de projetos desta natureza. Esperamos que desta vez não vamos deixar cair por terra todo o esforço destes verdadeiros HERÓIS.

25/08/2008 - Ju - Brasilia
Cesar, parece que o Brasil desativou um estaleiro naval com um navio quase pronto por motivo de o navio estar desatualizado tecnicamente para o lançamento. Antes mesmo do lançamento na água já estava desatualizado. Qual foi o engenheiro que projetou? Lógico que deveria ser uma equipe com muita bagagem e arquivo para efetuar um projeto desta envergadura, mas dizem que aconteceu (será que nós compramos um projeto superado antes do início das obras?) Até parece o caso das usinas nucleares (Angra I, Angra II, Angra III.. ) que eram todas com tecnologia superada. Viva a Embraer, que sem muito dinheiro investiu na tecnologia dos aviões AMX, aviões comerciais de até 100 passageiros, e hoje nós temos encomendas superiores à capacidade de produção. O mesmo elogio para a Embrapa, para o Batalhão de Engenharia do Exército e o Centro de Inteligência da Marinha.

25/08/2008 - Cesar - São Paulo SP
A aliança com a França mantem o objetivo de não alinhamento automático com os USA, iniciado por Geisel na década de 70. Os USA não são bons parceiros na área militar, pois não transferem as tecnologias de ponta vitais. Porém, em se tratando de armas de grande poderio ofensivo, a Rússia seria até mais confiável que um sempre aliado americano como a França. Quanto ao submarino nuclear, a nova classe de submarinos convencionais ultrasilenciosos e com grande autonomia, está pondo em check a real utilidade desses nucleares, pois, esses novos submarinos já podem fazer quase tudo o que aqueles fazem, com um custo inferior e sem lidar com material nuclear. A Suécia e Alemanha encabeçam esses desenvolvimentos, que já preocupam os USA e suas frotas nos mares, pois esses novos submarinos convencionais são praticamente não detectáveis, e com um simples torpedo podem afundar um porta aviões de bilhões de dólares.

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