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Cultura

Grigório Rocha é entrevistado

558 acessos - 0 comentários

Publicado em 02/01/2012 pelo(a) Wiki Repórter valdeck, Salvador - BA



Grigório Rocha é poeta, sindicalista, artista plástico e funcionário público. - Foto: Arquivo Pessoal

VALDECK ALMEIDA DE JESUS

Grigório Rocha nasceu no último quarto do século XX em Salvador, capital do estado da Bahia, onde vive atualmente. Se formou em artes plásticas pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia - UFBA, período em que foi coordenador da Federação Nacional dos Estudantes de Arte e teve intensa militância no movimento estudantil. Posteriormente, especializou-se em metodologia do ensino superior pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB e retornou à UFBA para cursar Ciências Sociais. Construiu sua trajetória literária publicando textos em seu blog Poesias do Absurdo (www.poesiasdoabsurdo.blogspot.com), no qual tem disponibilizado seus poemas para o público na rede mundial, além de ter alguns de seus textos também publicados em jornais e revistas. Recentemente, alcançou o 1º lugar no concurso de poesia do SESI 2011 com o poema “ÍCARO E A LUA” e também obteve o 1º lugar no concurso literário Valdeck Almeida de Jesus 2010, com o poema “PÁLIDOS MISTÉRIOS”, obtendo também uma menção honrosa pelo poema “MORTALHA” na edição de 2009 deste mesmo concurso.

VALDECK: Quando e onde nasceu?
GRIGÓRIO ROCHA: Nasci em Salvador da Bahia em 1975, no final do “breve século XX”, como diria Eric Hobsbawn.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
GRIGÓRIO ROCHA: Conheço muitos estados brasileiros devido ao trabalho, à militância política e às incursões nos shows de heavy metal Brasil afora. Ainda não conheço fisicamente nenhum país estrangeiro, mas, sinceramente, não tenho muito essa necessidade. Só gosto de viajar a trabalho ou para algum evento cultural específico de meu interesse. Viajar só pra bater perna eu acho um saco.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
GRIGÓRIO ROCHA: Comecei a escrever poemas na faculdade, na década de 1990. Escrevia em uma agenda velha, textos os mais diversos, mas nunca pensei em publicá-los. Uma vez um amigo meu, que é ator de teatro, gostou de um texto meu e pensou em encená-lo, mas acabou não rolando. Nessa época me dedicava mais aos textos acadêmicos. Depois acabei publicando alguns poemas no jornal da Embasa, em 2005, e depois fiquei em segundo lugar no concurso de poesia do SESI em 2006. Minha produção teve realmente impulso quando fiz o meu blog na internet, que é hoje a principal plataforma de difusão da arte. Foi com o blog que publiquei vários poemas antigos e depois fui me estimulando a publicar outros novos.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
GRIGÓRIO ROCHA: Atualmente escrevo poesia. Sobre ficção ou realidade, isso depende do ponto de vista. Na realidade há muita ficção e toda ficção tem um pé (ou os dois) na realidade. Mas como considero toda realidade parcial, filtrada e condicionada por nossa cultura, e mediada, evidentemente, tanto pela nossa percepção quanto pela nossa subjetividade, entendo que toda realidade é ao mesmo tempo concretude e construção ficcional. Por isso, em minha obra poética ficção e realidade estão presentes e não poderia ser diferente. Do ponto de vista específico das temáticas, abordo uma infinidade delas, pois tenho uma grande diversidade de referenciais e gosto de tratar de tudo que me interessa, até porque tanto para a poesia quanto para outras formas de arte não há temas proibidos nem temas feios. Tudo é objeto da arte, tanto o que existe quanto o que aparentemente não existe. E a própria arte é objeto da arte. Por isso existe uma intertextualidade em minha poesia que o leitor mais atento poderá perceber.

VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
GRIGÓRIO ROCHA: O maior compromisso que autor pode ter com o leitor é o compromisso com sua própria obra. Publicar algo sem critério só pra ter seu nome na capa de um livro ou fazer uma obra pensando em agradar o leitor é o maior gesto de descompromisso que existe. Há autores que querem aparecer mais do que a própria obra ou utilizam a obra apenas como uma muleta para se alçarem ao estrelato, demonstrando que seu único compromisso é com a própria vaidade e não com o seu trabalho, com a sua arte. Acho isso lamentável. Entendo que a poesia como obra de arte, e como tal ela deve ter uma força interior, um cuidado e um carinho do seu autor como se fosse um filho que a mãe não quer que vá com a roupa amarrotada pra escola. É à arte que o poeta deve dedicar todo seu amor e todo seu suor. Se assim for, o compromisso com o leitor estará selado e ele perceberá claramente, pois ninguém gosta de ser enganado, muito menos ler o simulacro de uma poesia.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?
GRIGÓRIO ROCHA: Poesia.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
GRIGÓRIO ROCHA: Escrevo de forma bastante diversa. Às vezes a poesia sai toda de uma só vez, às vezes escrevo e reescrevo um poema por dias ou semanas até ficar satisfatório. Não tenho uma forma única. Depende muito de como surge a necessidade de escrevê-lo, do tema, do momento etc. Tem poemas que faço pesquisas para escrever, consulto livros. Já fiz poemas baseados em filmes, em músicas, em teorias sociológicas, em fatos jornalísticos. Cada um tem uma história diferente e um método de composição diferente, pois é a obra que dita a sua necessidade. Cabe ao autor entender o que a obra quer, deixar-se conduzir por suas pistas e alcançar a sua realização.

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
GRIGÓRIO ROCHA: Tenho alguns poemas que são bem especiais, mas são para mim, pois depois que os publico eles são de quem os lê. Gosto muito de “Pálidos Mistérios”, que é um poema no qual consegui contar uma história mística em uma linguagem simples e concisa. Gosto também de “Espírito do Tempo”, que é uma de minhas poesias mais reflexivas. Tem outros que adoro, como “Sonetus Oniricus”, cuja temática dialoga com o filme “Inception” (A Origem), “Terra de Ninguém”, que aborda a tema da luta pela terra, “Soneto para minha Rosa”, que é uma ode à minha amada, além de “Inverno de Minh’alma”, poema que adentra dramaticamente o universo cênico. E tem também, não poderia esquecer, “A Bahia dos Gregórios”, que é o meu poema mais pop e mais pedido em recitais, isso porque, inspirado em Gregório de Matos (meu quase chará), o poema não poderia ser menos ácido nem menos satírico. Quem quiser conferi-los é só entrar no meu blog.

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
GRIGÓRIO ROCHA: Depende de cada poema. Ele é quem vai dizer o tempo dele de ser escrito e quando está pronto.

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
GRIGÓRIO ROCHA: Sinceramente, não me lembro. Depois que termino o poema, esse detalhe me escapa. E depois que publico, ele não é mais meu, é do leitor. Só sei que tem uns que demoraram vários dias reescrevendo, o que é um sofrimento, mas no final o prazer faz a gente esquecer tudo.

VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
GRIGÓRIO ROCHA: Concluí uma graduação em artes plásticas e estou concluindo minha segunda graduação em Ciências Sociais. Ambas foram importantes para minha formação cultural e intelectual. Sobre carreira na literatura, não sei muito bem o que isso quer dizer, mas pretendo continuar escrevendo e postando no meu blog. Aí depende mais de minha poesia do que de mim. Enquanto ela me quiser como seu interlocutor com o mundo, estarei aqui.

VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
GRIGÓRIO ROCHA: Tenho vários escritores e pensadores que me inspiraram e continuam inspirando, como Augusto dos Anjos, Gregório de Matos, Fernando Pessoa, Machado de Assis, George Orwell, Kafka, Karl Marx, Eliphas Levi, Aristóteles, Sófocles, entre outros. De muitas e variadas formas eles estão presentes na minha obra e no meu pensamento.

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
GRIGÓRIO ROCHA: Compromisso com sua obra. Fazer o melhor possível e colocar na obra todo o seu ser. A arte é implacável com aqueles que não a respeitam, pois não é o autor que sobrevive e sim a obra. É ela que se perpetua e não quem a escreveu. Não é preciso ser um intelectual nem ser acadêmico pra escrever bem. É preciso que o escritor tenha algo a dizer primeiramente a si mesmo. O aprimoramento estilístico dependerá do mergulho do escritor dentro de si e da sua persistência em encontrar a verdade da sua obra. É a obra que quer o autor e é a ela que este deve servir, por isso qualquer um, do mais humilde ao mais culto, pode escrever coisas geniais.

VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
GRIGÓRIO ROCHA: Essa é uma pergunta curiosa. Todo autor é uma ficção de si mesmo, tanto quanto exercemos papéis diferentes em diferentes contextos. Nós construímos nossa imagem enquanto autores e essa imagem tem relação íntima com a obra literária, portanto o autor também é personagem da sua própria obra. Dessa forma, a escolha que fazemos também tem a ver com o sentido que queremos dar para nossa própria produção literária. Na história da literatura existem vários exemplos disso. Fernando Pessoa utilizava vários heterônimos, pois cada um deles tinha uma identidade com uma forma de produzir poesia. Temos outros exemplos de autores que usam ou usaram pseudônimos, como Malba Tahan, George Orwell, Agatha Christie, Bocage, Delirium/Calliope e Lemony Snicket, este último, inclusive, se coloca ao mesmo tempo como autor e protagonista de algumas de suas obras. Paulo Coelho é outro bom exemplo. Ele construiu uma imagem de alguém que tem relação íntima com a magia e com questões místicas. Isso transborda de tal forma em sua obra que o fato do autor ter essa imagem coloca para o leitor a sensação de que toda obra dele é um tanto autobiográfica. Nesse sentido, o autor é uma construção ficcional que dialoga com a obra. Portanto, o pseudônimo é uma opção interessante de construção de sentido, mas usando ou não pseudônimo, todo autor é uma construção ficcional. É ao mesmo tempo realidade e ficção em operação dialogando com a obra. Eu já fiz essa seleção ao usar meu primeiro e último nome como minha assinatura. Já sou uma personagem, como todo autor o é. Não descarto o uso de um pseudônimo algum dia, dependendo do que a obra me exigir.

VALDECK: Como foi a tua infância?
GRIGÓRIO ROCHA: Tive uma infância tipicamente urbana no principado de Mussurunga, em Salvador. Estudei em colégios públicos no próprio bairro e comecei a trabalhar cedo como menor aprendiz no extinto Baneb. Me diverti muito com meus colegas assistindo filmes na TV e no cinema, indo a shows de rock e heavy metal, jogando bola na quadra da escola, andando de bicicleta e aproveitando a extraordinária cena artística da década de 1980 e do início da década de 1990, apesar de toda a crise econômica.

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
GRIGÓRIO ROCHA: Não faço esse tipo de separação entre arte e diversão. Normalmente me divirto fazendo ou fruindo arte, seja no cinema, no teatro, ouvindo música, lendo um bom livro ou escrevendo um poema.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
GRIGÓRIO ROCHA: Publico meus poemas no meu blog e tenho muito prazer em vê-los na rede e de ver os comentários, de ver como as pessoas reagem aos textos. É uma experiência interessante. Já publiquei em livros, revistas, jornais, mas o poema na internet tem um alcance maior e proporciona uma maior interação com o leitor. Não teria um texto específico que mais gostei de publicar.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
GRIGÓRIO ROCHA: Sou funcionário de uma empresa pública estadual, a Embasa, e atualmente exerço mandato de dirigente sindical.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?
GRIGÓRIO ROCHA: Não tenho nenhuma preocupação didática em meus poemas. Cada poema que escrevo tem uma história, por isso não os aprisiono numa metodologia. Eles surgem de necessidades e vontades misteriosas, de uma vontade de dizer alguma coisa, mas cada um escolhe sua forma e seu conteúdo independentemente uns dos outros. Por isso escrevo sonetos, poemas rimados ou sem rima, com rimas às vezes estranhas ou assimétricas, porque a linguagem está a serviço do sentido e lhe é complementar. Dessa forma, tem poemas que tenho inspirações místicas, outros com viés na teoria política ou sociológica, outros em discussões filosóficas ou psicológicas, alguns comentam fatos jornalísticos, outros são satíricos e por aí vai. Mesmo que eu queira passar uma mensagem, o poema é uma obra aberta à interpretação do leitor, então deixo pra ele ou ela interpretá-lo de forma livre. O poder que tenho de escrever e dizer o que eu quiser é o mesmo do leitor de interpretar o que quiser. Mas essa discussão fica parecendo aquela que Edgar Allan Poe trazia quando diziam que os textos dele não tinham uma moral. A moral da história está sempre lá. Cada um que construa a sua. Os leitores e as leitoras são bastante inteligentes e saberão construí-la com suas próprias consciências.

VALDECK: Qual sua Religião?
GRIGÓRIO ROCHA: Não tenho nenhuma religião específica.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?
GRIGÓRIO ROCHA: Não gosto muito de fazer planos. Deixo muito as coisas rolarem e as ideias surgirem. Por enquanto, pretendo continuar publicando meus poemas no meu blog e talvez compilar alguns em uma publicação impressa, porque algumas pessoas gostam de ter o livro nas mãos e isso também faz parte, mas não estabeleço isso como meta. Se rolar, rolou. Uma coisa que pretendo é conhecer um pouco mais de poesia, de teoria literária e outros assuntos que me interessam. Uma coisa que pretendo pesquisar é sobre novos caminhos para a poesia fora do circuito comum. Acho que a poesia precisa ir pro mundo, ocupar as ruas, as paredes, as galerias de arte etc. A poesia está muito confinada nos livros, nas bibliotecas. A poesia precisa estar mais próxima das pessoas. Esse é um desafio que quero enfrentar e um limite que a poesia precisa romper.

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no site www.galinhapulando.com

Fonte: http://galinhapulando.com/visualizar.php?idt=3418424



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