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Cultura

Índios, colonizadores e o Brasil contemporâneo

13499 acessos - 14 comentários

Publicado em 07/02/2008 pelo(a) Wiki Repórter Luis Carlos, Brejo Santo - CE



Durante o carnaval, tive a oportunidade de ler As Lutas do Povo Brasileiro, de Júlio José Chiavenato. No meu descanso pós-operatório, sintetizei algo que considero importante para a compreensão do momento político e social que estamos vivenciando.

Temos a visão do Brasil somente após o descobrimento. É com os olhos do que chega para saquear e escravizar um povo livre, portanto que a história oficial começa a explicar o Brasil. O índio, o povo brasileiro de então, é visto como mero figurante a ser escravizado ou cristianizado sem voz nos destinos que os civilizados impõem. Selvagens, nativos, identificam os primeiros habitantes do Brasil (de cunho estritamente ideológico). O índio é estritamente inferior. Toda a sua cultura e conhecimento são tratados como primitivismo mental ou de decadência de uma raça. De pronto, uma condicionante de absoluta inferioridade mental, religiosa, política e cultural. 

Os portugueses não vieram ao Brasil fazer turismo. Vieram com o nítido empenho em roubar, pilhar a terra e escravizar seres humanos na seqüência lógica do processo colonizador. A história desse processo se faz utilizando a mesma ideologia. Os bandeirantes, por exemplo, nunca são o que são: bandidos, ladrões de terra e escravizadores de tribos inteiras que capturam ou matam, cortadores de orelhas que pacificam o País. 

É preciso criar o mito de que alargaram as fronteiras e povoaram o interior. Os padres são seres santificados que deram a vida por Cristo, levando à cruz as almas rudes dos gentios. Nunca são uma força de ocupação ideológica e geopolítica, desarticulando a cultura indígena e servindo ao opressor. “A violência da colonização explicada pela ideologia do vencedor e justificando o genocídio dos indígenas induz a ver nestes os verdadeiros primeiros habitantes do Brasil, uma representação do atraso, e, nos que matam e pilham, as forças do progresso”. 

Os portugueses, chegando ao litoral brasileiro, encontraram cerca de 1,5 milhão de índios. Imediatamente começou a guerra. A traição é começada pelo invasor desde o primeiro momento. Os tupinambás tornam-se guerreiros ferozes. Os tamoios aliam-se aos franceses. A todos só interessava o que tinha na terra e não a terra em si. Desse modo, o Brasil era uma propriedade dos que invadem, negando o direito à resistência e aliança a quem o defendia. 

É sabido que os tamoios praticavam a antropofagia não como canibalismo. Era um ritual de crença cultural no qual as virtudes dos guerreiros vencidos lhes eram transmitidas através da ingestão de suas partes. Fazia mais justiça aos vencedores vê-los como rudes e de selvajaria indomável. Comeram o bispo. É preciso estigmatizá-lo enquanto ocorre o processo de tomada de terra e pratica-se o genocídio. 

Na difamação do índio não é suficiente dizer que ele é bruto. É preciso negar-lhe até a hombridade. Gabriel Soares e Von Martius observam que os índios brasileiros têm o pênis pequeno e, por isso, não seria eficientes sexualmente. Abelardo Romero – História da Imoralidade Brasileira (1966) – vai servir-se de tais informações para deduzir que “entre os sinais físicos de sua degenerescência anotou o sábio alemão Von Martius o membro viril pequeno e sem a turgência do pênis do negro”. 

“Mal servidos pela natureza, atribuindo-se a isso a preferência de suas mulheres pelo homem branco, os índios eram em geral frouxos e frios, enquanto as índias mostravam-se ardentes”. Ou seja, após quinhentos anos de difamação, o curso prossegue. O Índio é – sendo grosseiro para ser bem claro e traduzir o desprezo embutido nas palavras de Romero – corno e broxa e, por isso, as índias preferiam os machos brancos. De uma vez, escamoteia-se toda a opressão colonial que esmagou violentamente e subjugou suas mulheres, praticando um histórico estupro que ainda não acabou. 

Comentário - Você que acabou de ler estes trechos de suma importância para a história real do Brasil pode entender o paralelismo hoje existente nas nossas ruas entre colonizados e colonizadores? Por que essa gana tão evidente das nossas mulheres brasileiras por branquelos estrangeiros? Será por suas belezas e seus paus? Certamente que não, mas tão somente pelos colares, espelhos, doces, dólares, língua enrolada que a nossa infância e juventude se entregam de corpo e alma.

E quem faz alguma coisa faz junto a festa do poder... E nossas riquezas, você entende de outra forma? Eu não. Pra ser sincero, continuamos os mesmos índios recebendo “dádivas” de celulares a pneus de carro. Aos que se rebelam ou comentam algo a esse respeito, o desprezo e a caracterização que são forças do atraso. Haverá guerra sim quando saquearem os últimos suspiros das nossas florestas e água. Vamos comer um a um, aquele que for “Índio do Brasil”.


Todos deste(a) repórter

Publicado pelo(a) Wiki Repórter
Luis Carlos
Brejo Santo - CE



Comentários
01
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Adeildo
Boca da Mata 17/04/2009

Excelente artigo. Parabéns.


 
02
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Luis Carlos
Brejo Santo 13/08/2008

Minha cara venusaquario, - são paulo - Eu convidaria você a ler um artigo transcrito de Kant na secção Cultura, para que você compreenda de forma mais nítida a minha inteção. Eu acrediro que este texto é bastante imparcial e não trata o índio com choradeira e como se coitadinho o fosse. Ele, como algumas minorias brasileiras, são tratados com uma realidade brutal que deve ser relatada para que todos analisem do ponto de vísta ético e da unidade nacional. Obrigado por seu comentário. Muito importante.


 
03
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venusaquario
são paulo 01/08/2008

Desculpa, gente, mas a única coisa que se aproveita do que disse, Luís Carlos, desculpe, é dizer que a cultura indígena tinha muito de valoroso como muitas outras culturas. Aliás, tinha algo que precisamos urgentemente reaprender, que era a convivência saudável com a natureza. De resto, tudo segue como sempre se segue, injustiças e a história é contada pelo vencedor e etc, etc. Mas eu, como descendente indígena, estou cansada desse papo. Nós podemos seguir em frente sem esse choramingo insuportável. Fazer uma pressão nas mesas de negociação, ser altivo, claro e claro, mas ficar chorando as injustiças (verdadeiras) só nos faz pensar que somos coitadinhos. Não somos! E ninguém vai me dizer isso! Vivo na loucura de São Paulo, convivo com cenas que não gostaria, mas sou o que sou e vou lutando. http: / / liberdadeabreasasasbrasilportugal.blogspot.com /


 
04
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bruno miranda almeida brito
são paulo 17/04/2008

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05
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LUIS CARLOS
CEARA 22/02/2008

NÃO DEIXE DE LER - LAMPIAO, MOMENTOS DO MEDO EM CONTOS E POESIA. E MUITO INTERESANTE.


 
06
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Vernek d'avila
Ponta Grossa 08/02/2008

Almir jorge, não ridicularize a tí e aos outros. Também não radicaliza. O que esta escrito não tem nada a ver com a tua ignorancia.


 
07
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Luis carlos
Ceara 08/02/2008

Em primeiro plano, o que pretende não é uma valorização conceitual sobre a minha pessoa. Temos a oportunidade de examinar de forma mais verdadeira a nossas historia e as nossas proprias razões. O passado nos servira para evitar os erros que cometeremos no presente e no futuro. Alguns não entendem, principalmente quando a origem é a do brasil verdadeiro, contestado por sulistas, que são, na realidade poucos. Da mesma forma, continuamos sendo discriminados atualmente pelo poder economico mundial e pela integração entre os povos. Só, meu caro que nunca havera equilíbrio entre o forte e o fraco. Entre o rico e o pobre. Compreenda o modo didático e a boa intençao de brasilidade no texto e estaria muito satisfeito com voce. Se voce mora no Brasil e vive oseu ar, sua gente seu cotidiano, certamente endendera. Se não, infelizmente não posso mudar a tua cabeça.


 
08
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Almir Jorge
Curitiba 08/02/2008

Se portugueses e outros europeus não tivessem chegado ao Brasil, o Brasil atual era uma terra de índios livres e civilizados ? Este site era escrito em tupi ? A colonização é uma consequencia da história e história não tem bons ou maus. Ou brasileiro (índio) que estava cá era bom e português era mau ? Isso é preconceito e complexo de colonizado. Eu não tenho isso e acho que o povo brasileiro só será maduro quando souber conviver, sem valorizações positivas ou negativas, com sua história. O resto é ignorância. Cresça, amigo!


 
09
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Guimarães Rocha Designer
Desterro 08/02/2008

Parabéns pela matéria e pelo tema, realmente a educação nos colégios bem como a historia do Brasil deveriam ser reformuladas pois não damos valor aos donos legítimos dessa terra, os Índios, bem como escondemos o genocídio e a ignorância de nossos conolizadores e invasores. E para aqueles que os questionam como "inferiores", se fossem realmente inferiores, como se explica o roubo do sangue de tribos do interior da Amazônia por cientistas estrangeiros para serem usadas como modelo genético devido a pureza dos genes desses "espécimes"? Também queria ver estes “entendidos” irem lá na Xingu no meio dos Cinta Larga dizer pra eles que tem o pinto pequeno pra ver o que iria lhes acontecer. Parabéns para o Brasil Wik, hj só li matérias legais, tomara que o nível continue assim.


 
10
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Jason
Brasilia 08/02/2008

Extremamente oportuno, atual e necessário. o tema em questão, é triste dizer, mas não é abordado como deveria ser nas escolas do Brasil, os vilões são sempre os nativos, os índios não "aculturados". nessa INVASÃO a igreja juntou-se com os colonizadores e cobrou a fatura, muitas igrejas foram erguidas com o trabalho escravo de índios e negros. que seja ensinada nas escolas a verdadeira história da colonização.


 
11
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Franco
corbélia 08/02/2008

Fico feliz em ver um valente do nordeste defendendo seu povo, sou do sul, descendente de cearenses, sei na pele o desprezo que se tem aqui pelo povo nordestino, considerados índios. Que muitos mais se levantem em defesa de nosso povo.


 
12
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Medeiros
Cascavel 08/02/2008

Excelente reportagem, parabéns, fico chocado em verificar que numa ideologia de classe dominante recente, ser brasileiro é ser índio, e numa revista de distribuição nacional se escreve que é melhor ser brasiliano, numa alusão à nova onda de imigrantes. Pena que o povo brasileiro é tão simples e não sabe o poder que tem.


 
13
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paul the tharsso
brasilia-df 08/02/2008

impressionante , essa questão dos índios, né !!!!!!!! o complexo é uma coisa assustosa.


 
14
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Silva
Curitiba 08/02/2008

Parabéns pela reportagem. Você trouxe a tona um assunto que os cursos de bussiness, administração financeira, marketing, entre outros neo-liberais não querem ver por perto. A nossa herança cultural é a herança do medo e da falta de amor próprio. Não é atoa que muitas pessoas não gostam do Lula, ele é um sertanejo, seu nome é Silva, "Silva" não é um nome nobre, ele não fez faculdade, não sabe falar inglês, e para grande maioria, "é um absurdo não falar inglês", como se os presidentes americanos soubessem falar português. Assim, nosso povo vai se vendendo aos facínios e utopias neo-liberais, quase entregaram a base de Alcantara, apesar de não sobrar tempo para salvar a Vale do Rio Doce, e ainda chamam isso de progresso? Pelo amor de Deus, tenham compaixão à sua Pátria, parem de levantar bandeiras do Brasil somente na copa do mundo, vendo jogadores que ganham milhões correr atrás da bola, levantem a bandeira por amor ao seu País, a sua Pátria, à sua terra; senão, nos restará ver mais uma vez escritos nos livros de história: "O novo descobrimento do Brasil".


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