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POLÍTICA
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Plano de Direitos Humanos corre risco de encalhar no CongressoPublicado em 26/01/2010
Com as eleições gerais deste ano no Brasil, a terceira etapa do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) - que chegou abrir uma guerra declarada entre militares das Forças Armadas e ex-militantes da esquerda armada no País - pode encalhar no Congresso Nacional e só entrar na pauta de discussão no Parlamento Brasileiro ano que vem.
Em ano eleitoral as duas casas do Congresso (Câmara dos Deputados e Senado Federal) ficam vazias - sem quorum para discussão, e muito menos para votação, devido à ausência dos deputados e senadores que não deixam suas bases eleitorais em busca de votos para a reeleição de seus mandatos.
E como o PNDH3 já virou guerra político-ideológica mesmo antes de ser colocado em discussão ninguém vai querer entrar em rota de colisão com eleitores contra ou a favor da "Comissão da Verdade", um dispositivo previsto no PNDH3 que prevê a apuração de crimes praticados pelo governo militar.
O PNDH3 prevê o tratamento de temas desde a investigação e punição de crimes durante o governo militar até o conteúdo das emissoras de televisão e a reforma agrária. A abrangência do plano é tão grande que ocorreu uma forte reação dos militares, da ativa e da reserva, das Forças Armadas e Polícia Militares em todo o Brasil.
Entretanto, a reação dos militares da ativa e dos ex-militantes da esquerda armada que ocupam cargos no Governo Federal foi facilmente contida pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal, é raro alguém que ocupa um cargo de invejada remuneração, além das mordomias e benesses, ousar descartá-lo por credo político-ideológico.
É claro dentro do Congresso Nacional a pré-disposição de não se colocar em discussão temas polêmicos antes das eleições gerais em Outubro, primeiro turno, e Novembro, segundo turno, deste ano. Por conta das eleições, as possibilidades de votação, até mesmo de temas urgentes e sem polêmicas, ficam muito reduzidas.
A proposta de criação da Comissão da Verdade foi violenta e veementemente criticada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, por comandantes das Forças Armadas e pelo pessoal da ativa e reserva das Polícias Militares. O argumento dos militares é que a criação de uma comissão para trazer à tona fatos ocorridos durante o Governo Militar fere a Lei da Anistia de 1979.
O PNDH3 também trem como alvo os interesses dos grandes grupos econômicos de telecomunicações, prevendo censura e intervenção no conteúdo das empresas de rádio e TV, com a aplicação de sanções, desde multas até cassação da concessão, em caso de conteúdos programáticos que ofendam os direitos humanos.
Uma das maiores resistências que o programa do governo deve enfrentar no Congresso se refere às questões de acesso à terra. Os ruralistas têm declarado que a proposta fere o direito à propriedade, aumenta a insegurança jurídica e se mostra preconceituosa em relação ao agronegócio. Entre os pontos mais criticados, está a criação de um comitê de acompanhamento e de monitoramento para avaliar decisões judiciais e liminares de reintegração de posse.
O presidente da Sociedade Ruralista Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, enfatizou que "quando o agronegócio reivindica uma melhor garantia do direito de propriedade, o governo ao invés de melhorar, faz um decreto que traz mais insegurança jurídica. Isso é chocante. Posso ter uma invasão e antes de falar com a Justiça, tenho que falar com o invasor. Esse é um rompimento de parâmetros da legislação e da democracia".
O programa também sugere maior rigor para a legislação no sentido de coibir o trabalho escravo e adotar medidas para coibir práticas de violência contra movimentos sociais que lutam pela reforma agrária. O programa desagradou os ruralistas também por assegurar a demarcação de terras de quilombolas e indígenas e reforçar a necessidade de atualização dos índices de produtividade da terra.
Outro ruralista, o deputado Ronaldo Caiado, líder do DEM na Câmara, disse que o PNDH3 nada tem a ver com direitos humanos por ser "um documento baseado em teses revanchistas, uma espécie de golpe branco, que tenta desrespeitar e atropelar a Constituição".
O líder do DEM na Câmara dos Deputados disse também que o PNDH3 "foi um golpe de esperteza e vigarice do governo, mas o Congresso tem ampla maioria para rejeitar todos esses projetos, feitos para revogar o direito de propriedade, e não vejo nenhuma chance de avançar".
Entidades ligadas à defesa dos Direitos Humanos estiveram na Câmara dos Deputados discutindo estratégias com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias. A intenção é se defender da artilharia que virá dos ruralistas, das grandes empresas de comunicação e dos militares, os setores que mais demonstraram reação às idéias do plano.
Segundo o presidente da comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), a maioria dos integrantes do colegiado vai pressionar pela retomada do texto original do decreto presidencial, alterado pelo presidente Lula para conter a reação dos militares. Couto disse que "com violação de direitos humanos, não se negocia, não tem concessão".
Lula retirou a expressão "no contexto da repressão política", que antes limitava a investigação sobre "violação dos direitos humanos" na época do regime militar. Com a expressão, a possibilidade de investigação ficava reduzida às violações cometidas pelo Estado, sem condições de se analisar crimes praticados pelos grupos de esquerda. Sem a expressão, essa possibilidade se abre.
Luiz Couto diz que as entidades de direitos humanos querem que a definição da Comissão da Verdade seja ampliada. "Vamos lutar pelo direito à memória, à verdade e também à Justiça. Não basta a família saber onde estão enterrados os desaparecidos. É preciso que haja um encontro dessa verdade com a Justiça, e isso só pode haver se existir vontade política de dialogar".
O deputado do PT enfatizou que pontos polêmicos do programa, como a descriminalização do aborto e a união civil de pessoas do mesmo sexo (que arrancaram protestos até da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) responsável pela ascensão de Lula e do seu partido ao poder), além da mudança nas regras para desapropriação de terras para reforma agrária, "serão decididos pelo próprio Congresso, através de projetos de lei na Câmara e no Senado".
ANTONIO CARLOS LACERDA PRAVDA Ru BRASIL Fonte http://port.pravda.ru/cplp/brasil/28735-direitos_humanos_brasil-0
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COMENTÁRIOS
02/02/2010 - schneider - brasilia Senhores leitores, o senhor flipe não sabe do que fala. Podem estar certos que tudo o que a doutora Mirna publica é verdadeiro. A OAB do RJ, principalmente o Instituto dos Advogados Brasileiros, respeitam e admiram sua integridade, capacidade e coragem. Entende muito bem do que escreve. Como ela, há poucos. 26/01/2010 - flipe - belo horizonte Leitor, o artigo referido é uma clara distorção do PNDH-3. No conteúdo, além de ficar no ar uma possível posição partidária do autor, fica clara a proteção dos interesses de não aprovação do PNDH-3. Alguns trechos citados pelo autor não passam nem perto da realidade contida no PNDH-3, fácil saber. Se você é um wiki repórter, faça o login e seu comentário será postado imediatamente.
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RECADOS DO EDITOR Oportunismo "Collor é um Ciro que deu certo, e o resultado é esse mesmo... oportunismo político". Do wiki repórter Johan, de Fortaleza, sobre Jingle da campanha de Collor: seria cômico se não fosse trágico, publicada por Júlio Ferreira, do Recife.
Estado de espírito "Carioca ama o Brasil, seja no frio ou no inverno. Acredite no que digo. Carioca é estado de espírito. Carioca é politizado e hospitaleiro na acepção do termo. Educado, inteligente, assim como você. Vai por mim, carioca, assim como todo brasileiro (não politiqueiro)". Do wiki repórter josemir(aolongo...), de Volta Redonda, sobre Não parece o Brasil, cara-pálida?, publicada por luferom, de Brasília.
Prostitutas do fisiologismo "O velho Arraes deve estar se remoendo no túmulo em saber que seu neto não passa de um subalterno do PT. Deu descarga no PSB. Espero que tenha valido a pena, ou será que foi apenas para comer as sobras do banquete das grandes prostitutas que vivem de fisiologismo (PT e PMDB)?" Do leitor John Castle, de São Paulo, sobre Ciro Gomes pode desestabilizar polarização Serra-Dilma, de autoria de Didymo Borges, de Recife.
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