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Economia

O renascimento da indústria bélica

7597 acessos - 0 comentários

Publicado em 15/08/2009 pelo(a) Wiki Repórter Didymo Borges, Recife - PE



O veículo leve de combate Urutu está presente nas forças armadas de diversos países tais como a Líbia, Angola, Bolívia e Iraque e é utilizado pelo exército brasileiro na missão militar no Haiti. - Foto: IstoÉ
A indúsria bélica brasileira sofreu uma significativa regressão nestas últimas duas décadas. É que por se tratar de um ramo industrial inteiramente dependente do apoio governamental, as indústrias brasileiras de material bélico passaram a ser relegadas a segundo plano, especialmente a partir do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Como resultado, houve um retrocesso significativo com o fechamento de indústrias que tinham alcançado padrões tecnológicos significativos. Uma das maiores vítimas foi, precisamente, a Engesa que fabricou dois carros leves de combate ainda hoje utilizados pelo Exército brasileiro, o Urutu e o Cascavel. Ainda hoje as ruas de Porto Príncipe, no Haiti, são patrulhadas com veículos de combate fabricados pela Engesa e que levam o dístico UN das Nações Unidas.

O desmantelamento da indústria bélica brasileira tem sido motivo de muitos lamentos por parte da comunidade militar. Não faltaram, por parte dos militares da ativa e da reserva, os comentários desairosos à política do governo petista que até agora não encetou política de renovação material e tecnológica das forças armadas fato que vem sendo apontado como o o principal motivo de desestímulo da ainda incipiente indústria bélica nacional. Promissoras indústrias como a Bernardini que chegou a participar de licitação para fornecimento de tanques de guerra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) acabaram por sucumbir devido a falta de incentivos. Desta forma, pode-se afirmar que a preocupação no primeiro mandato do presidente Lula da Silva com a manutenção do superávit primário - uma política que teve continuidade no segundo mandato - acabou por minimizar os dispêndios com a renovação e evolução tecnológica das Forças Armadas.

Agora surge uma grande oportunidade de se retomar os incentivos à indústria bélica e à modernização tecnológica militar com o acordo com a França. Em primeiro lugar, será feita a aquisição de 50 helicópteros de transporte militar, uma aquisição que será feita com transferência de tecnologia de tal forma que, progressivamente, estes aparelhos de crucial importância na logística militar passem a ser fabricados no Brasil com crescente percentual de nacionalização. O fornecimento de peças para os helicópteros fazem parte da estratégia da EADS - a grande empresa de material bélico europeu - de transferir para o exterior uma parte da fabricação de componentes visando barateamento de custos. No Brasil, será constituída uma holding, a Engesaer, da qual o grupo europeu deterá 20% do capital e que deverá, conforme anunciado, fabricar satélites para controle aéreo. Segundo está em concepção, o Brasil passará a  ser fornecedor de países europeus destes helicópteros numa parceria de grande significado em termos de estratégia industrial-militar.

Tudo indica que está sendo concebido um modelo que poderá resultar em bons frutos desde que haja continuidade nos propósitos estabelecidos. Certamente, tratando-se de atividades industriais de grande complexidade tecnológica, será necessário pelo menos uma década para maturação, ou seja, o êxito dependerá da perseverança e firmeza de propósitos. Afinal, os parceiros europeus dependerão de respostas positivas para a consecução da parceria que deverá contribuir para a reestruturação da indústria bélica nacional com um significativo passo à frente no que diz respeito ao nível tecnológico-industrial.

Didymo Borges
_______________________
IstoÉ- 19/08/2009
A VOLTA DA ENGESA


Acordo sigiloso com o grupo europeu EADS retoma marca histórica da indústria bélica


Claudio Dantas Sequeira

No dia 7 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu convidado, Nicolas Sarkozy, da França, terão um motivo a mais para comemorar. Além de assinarem o contrato de fornecimento dos 51 helicópteros de transporte militar EC-725, lançarão a pedra fundamental da "Engesaer", holding que tomará a frente das iniciativas de transferência de tecnologia no âmbito da Estratégia de Defesa Nacional. A marca Engesa fez história no País entre as décadas de 70 e 80, quando figurou como importante indústria de material bélico, exportando caminhões militares e blindados leves para 18 países. Espera-se reeditar o sucesso da época e levar o Brasil de volta ao seleto grupo de fabricantes de armamentos. No comando da iniciativa está o coronel reformado Oswaldo Oliva Neto, irmão do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e ex-assessor do ex-ministro Luiz Gushiken, quando esteve à frente do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência, depois transformado em Ministério.

Íntimo do poder e dos militares que comandam a indústria de defesa nacional, Oliva Neto vem trabalhando há quase um ano nos bastidores para a concretização do projeto. Nos últimos meses, ele manteve encontros privados com os comandantes das Forças Armadas e representantes do Ministério de Desenvolvimento, da Defesa e do BNDES. Mas o tema é coberto de sigilo, e cláusulas de confidencialidade do acordo impedem que Oliva Neto e a EADS, o detalhem.

Professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, o coronel reformado Geraldo Cavagnari avalia que a reedição da marca Engesa faz parte das ações para "revitalizar a indústria de defesa brasileira e ingressar em níveis tecnológicos mais elevados". Cavagnari lembra que a Engesa construiu um mercado amplo e chegou a exportar para a África e o Oriente Médio, como os casos de Angola, Líbia e Iraque. Embora seus produtos mais conhecidos sejam os blindados Urutu e Cascavel, a Engesa se transformou num poderoso grupo que produziu desde tratores agrícolas até radares. Foi à falência em 1993, vitimada por problemas financeiros que tiveram origem na má gestão da companhia, segundo Reinaldo Bacchi, ex-gerente de marketing e produtos militares da Engesa. "Tem gente que inventa história de calote iraquiano, mas isso nunca existiu. Quem ficou devendo foi a Engesa." Segundo o advogado Maicel Anésio Titto, que cuidou do espólio, há poucos anos o registro da marca caducou, permitindo sua apropriação por terceiros.

Segundo Oliva Neto, a ideia de criar a Engesaer surgiu tanto da demanda nacional pela reativação da indústria bélica como da necessidade do próprio grupo EADS de negociar a transferência de tecnologia do contrato dos helicópteros, estimado em US$ 6 bilhões. Havia desconforto dos europeus em lidar pontualmente com várias pequenas empresas, sem a garantia de que os parceiros teriam condições econômicas e tecnológicas que justificassem a desmobilização de fornecedores na Europa. Numa cadeia produtiva, com tamanho grau de integração, qualquer falha na produção pode ter consequências desastrosas. "Com a holding, as desconfianças são dissipadas, uma vez que os investidores europeus terão a oportunidade de acompanhar o dia a dia das companhias que receberão a nova tecnologia", afirma Oliva Neto. "Além de profissionalizar o setor, o desenvolvimento de massa crítica e a instalação de capacidade produtiva, ampliam as possibilidades da Engesaer muito além do projeto dos helicópteros." A EADS já está enviando especialistas da unidade de negócios e engenheiros para visitar as empresas brasileiras e avaliar a capacidade de produção de bens e serviços. O objetivo é estimar como o Brasil participará na escala mundial do grupo.

A Engesaer representa a criação no Brasil de uma plataforma segura para a nova estratégia de negócios do grupo europeu, que prevê levar para fora da zona do euro até 40% de toda sua produção, a fim de reduzir custos com a obtenção de isenções fiscais e mão de obra mais barata. Essa lógica já vem sendo adotada no contrato dos helicópteros, que prevê a nacionalização de 50% da produção. É possível que o EC-725 seja produzido integralmente na fábrica da Helibrás, com vistas à exportação. Pensando nisso, a EADS adquiriu recentemente, por meio do consórcio Eurocopter, 70% da companhia brasileira. No caso da Engesaer, a participação acionária do grupo europeu estará limitada a 20%, para evitar que o negócio seja visto como "invasão estrangeira". O restante será aberto a investidores nacionais, como fundos de pensão. O governo federal, por sua vez, terá uma golden share, como ocorre com a Embraer, a fim de exercer o controle estratégico das operações.

Inicialmente, a Engesaer aproveitará a capacidade instalada de, ao menos, cinco empresas do setor de defesa: Imbra Aerospace e Mectron Engenharia, Akaer, Atmos e Gigacom, cujos presidentes coordenarão diferentes núcleos de negócios, como engenharia, aeroestrutura, sistema de armas e comunicação. Com esse modelo de produção, uma empresa torna-se fornecedora da outra, eliminando a verticalização do imposto.

Além de helicópteros, a holding também construirá satélites de controle de tráfego aéreo e sistemas para a área de segurança pública. Para o consultor em segurança nacional Salvador GhelfiRaza, do Centro de Estudos Hemisféricos de Defesa, braço acadêmico do Pentágono, a estratégia da EADS segue a tendência internacional. "O modelo de negócio é correto, mas o Brasil não está preparado", afirma Raza. Segundo ele, há barreiras tecnológicas, financeiras e de legislação que podem dificultar o sucesso do negócio




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Didymo Borges
Recife - PE



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